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Degrau acima, com dificuldade: sob vaias, Vasco vence o Avaí em São Januário

Vasco escudo

O apito indicou o final da partida e vaias e xingamentos surgiram da arquibancada. O alvo, Alberto Valentim. Parecia mesmo que o Vasco fora derrotado dentro de casa na Copa do Brasil. Na verdade, venceu, de virada. 3 a 2 apertado, com temor nos minutos finais. A arquibancada, escaldada, percebeu. O rival, o Avaí, é um adversário de Série A em 2019. A invencibilidade de 13 jogos na temporada parece uma miragem diante de oponentes, em maioria, fracos. Quando a dificuldade esteve um degrau acima, o Vasco titubeou. Recorreu à fórmula de sempre. Na noite de quinta-feira, resolveu. Até quando? Foi a pergunta, por meio de xingamentos, da arquibancada.

É óbvia a importância dos resultados. O Vasco voltará até a Ressacada dependente de um empate para avançar na Copa do Brasil. Mas correu riscos. A zaga, mostrando segurança diante dos pequenos no Carioca, titubeou nos dois últimos jogos. O acúmulo de insatisfação, aliás, talvez já venha daí: contra os reservas do Flamengo, o Vasco foi superado na maior parte do tempo e salvou a invencibilidade com um pênalti aos 50 minutos do segundo tempo. Pouco para quem, daqui a quase um mês, cruzará bigodes com equipes de maior nível na Série A. Com insucessos seguidos e lutas consecutivas, por três vezes vezes inglórias, contra o rebaixamento, o vascaíno entende a necessidade de cobrar, sempre.

Vasco no início: jogadas pelos lados, Galhardo sem criatividade

Pois o jogo em São Januário, iniciado após um respeitoso silêncio à memória de Eurico Miranda, começou de forma elétrica. Em seu 4-2-3-1 já tradicional, Alberto Valentim manteve a ideia do seu Vasco: acelerado, buscando os lados com velocidade e de cruzamentos na área para Maxi López. O problema é que a troca de passes vascaína busca sempre resolver logo a jogada, não tramar com maior frieza em busca do maior momento. Na afobação, um erro de passe pode ser fatal. Contra o Avaí de Geninho, o risco aumentava. Em um 4-1-4-1, o time construía rapidamente as jogadas tão logo recuperava a bola. Getúlio, geralmente à esquerda, alternava com Daniel Amorim para confudir a zaga vascaína. O time catarinense forçava o jogo à esquerda, às costas de Pikachu, dificultando a tarefa de Cáceres.

Ainda que buscasse o chão em algumas oportunidades, o Avaí arriscava, também, a bola longa. Assim Betão achou Daniel Amorim à frente. A ajeitada achou João Paulo mais atrás, que ajeitou a pelota e a lançou. Com a zaga vascaína adiantada, Getúlio avançou como uma flecha pelo alto, às costas de Castán. A cabeçada na trave salvou o Vasco por um instante. No rebote, Pedro Castro, livre, ajeitou o corpo para finalizar. 1 a 0.

Avaí no início: saídas rápidas e movimentação na frente

O gol precoce surpreendeu o Vasco e irritou a arquibancada. Para tentar o ter o controle da partida, o time da casa buscou trocar mais passes de um lado a outro pelo centro. Mas é um dos problemas desta equipe de Valentim: quando existem, as trocas de passes não são rápidas para permitir triangulações, superando marcação. A bola chega ao lado e, da intermediária, um dos laterais a levanta na área. Tentativa e erro. Danilo Barcelos, geralmente o pé calibrado, foi muito acionado. Do cimento, a torcida pedia “Ei, Vasco, vamos jogar”. Jogar. Pelo chão, de pé em pé, buscando soluções. Não bolas esticadas aleatórias. Com o time avançado, afoito, o Avaí aproveitou contra-ataques. A dificuldade de recomposição da defesa vascaína ficou latente. João Paulo, em rápida arrancada, quase ampliou ao chutar bola que desviou na defesa.

Marrony, geralmente boa válvula de escape, com velocidade e força, foi bem vigiado por Alex Silva e Betão. Conseguia pouco espaço. Thiago Galhardo, por dentro, carregava a bola, mas sem um passe em profundidade. Há limitações e, talvez por isso, o time instintivamente não tente resolver pelo chão. Confia na bola parada. A única boa construção ocorreu com uma rápida escapada de Galhardo pela direita e cruzamento rasteiro para o meio da área. Pikachu pegou de primeira e mandou no travessão. Mas o gol, claro, sairia em um lance de bola parada. Pancada de fora da área de Danilo Barcelos, desvio na defesa e bola no fundo da rede. 1 a 1 em um primeiro tempo pobre, frustrante. Lá e cá, mas de pouca técnica. Mais transpiração.

Ao fim, Vasco mais retraído, aceitando a a pressão do Avaí

Valentim, na segunda etapa, foi ousado. Sacou Raul, discreto no meio, e Marrony, quase nulo no primeiro tempo, e pôs Bruno Cesar e Rossi em campo. Jogou Pikachu à esquerda, abrindo o camisa 7 à direita, com os dois meias por dentro. Melhorou. Não só pelo claro ímpeto mais ofensivo, acelerando a bola principalmente para Rossi à direita tentar o mano a mano com Yuri. Um Vasco mais presente no campo do Avaí, que teve dificuldades e precisou se retrair para arrefecer a pressão. A questão é que, de novo, o principal problema do Vasco apareceu: mesmo com dois meias e pontas rápidos, não havia combinação de jogadas, indicação clara do que fazer. Se o passe e profundidade não aparecesse no meio da defesa rival, a bola invariavelmente acaba do lado, alçada para Maxi López. O argentino, aliás, é um capítulo à parte: praticamente imóvel, com dificuldades para fazer o pivô, parece mais atrapalhar do que colaborar.

Com o bom momento, o Vasco apertou o Avaí em seu campo e chegou ao gol após Werley levar a bola ao ataque, receber mal de Maxi na ponta esquerda e jogar para Danilo Barcelos na intermediária esquerda. O cruzamento saiu no capricho. Marquinhos Silva imaginou que a bola iria em Maxi e tentou antecipar. Ela viajou por cima e chegou em Rossi, de peixinho, à frente de Yuri. No canto da rede. Pelo alto, a virada do Vasco. 2 a 1. Mesmo com o ímpeto mais ofensivo, as chances não surgiam com naturalidade. O terceiro gol, então, saiu de jogada de escanteio. Bruno Cesar a Galhardo, de cabeça. O jogo parecia resolvido.

Avaí no fim: Moritz como organizador e troca de passes

Ocorre que Geninho apresentou um Avaí que sabia se retrair e, claro, tinha suas limitações. Mas buscava o ataque. E trocou de ideia: a tentativa de acelerar o jogo deu lugar a passes mais elaborados. Daí a troca de Matheus Barbosa por André Moritz. Mesmo lento, o volante já veterano passou a distribuir passes com fartura. E o Vasco, com Andrey na vaga de Galhardo, deu passes para trás instintivamente. Passou a aceitar a pressão do rival mesmo com a vantagem de gols bem estabelecida. Risco desnecessário. Em vez de esfriar o jogo com a bola, o Vasco optou por tentar proteger a frente da área. E foi envolvido. Após bela troca de passes, da direita à esquerda, André Moritz, que iniciara a jogada, apareceu dentro da área para diminuir o placar. 3 a 2.

A revolta estourou na arquibancada de São Januário. Mesmo com a invencibilidade, o torcedor percebe: o Vasco é refém de um jogo baseado na aceleração pelos lados e cruzamentos à área para Maxi. Foram incríveis 43 tentativas em todo o jogo. Das 23 finalizações*, apenas oito foram no alvo, retrato da afobação. Bruno Cesar, ainda fora de forma, tem dificuldades para ser o meia que trabalhe mais a bola, arrisque um passe agudo preciso. Thiago Galhardo, sempre com a bola acelerada e grudada nos pés, não dá a criatividade. As críticas pesadas da arquibancada são reflexo de uma torcida que já não se engana mais com o início do ano: quando encontrou rivais da Série A, o time de Valentim teve sérias dificuldades. Venceu. Mas deve se preparar melhor para enfrentar o degrau acima.

*Números do app Footstats Premium

FICHA TÉCNICA
VASCO 3X2 AVAÍ
Local: São Januário
Data: 14 de março de 2019
Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza (SP)
Cartões amarelos: Betão e Glédson (AVA)
Público e renda: pagantes 12.923 pagantes / 14.360 presentes / R$ 288.692,00
Gols: Pedro Castro (AVA), aos dez minutos e Danilo Barcelos (VAS), aos 34 minutos do primeiro tempo, Rossi (VAS), aos 11 minutos e Thiago Galhardo (VAS), aos 26 minutos e André Moritz (AVA), aos 39 minutos do segundo tempo

VASCO: Fernando Miguel; Raul Cáceres, Werley, Leandro Castán e Danilo Barcelos; Raul (Bruno Cesar / Intervalo) e Lucas Mineiro; Yago Pikachu, Thiago Galhardo (Andrey, 35’/2T) e Marrony (Rossi / Intervalo); Maxi López
Técnico: Alberto Valentim

AVAÍ: Glédson, Alex Silva, Marquinhos Silva, Betão e Iury (Lourenço, 25’/2T); Ricardo (Luan Pereira, 29’/2T); João Paulo, Pedro Castro, Matheus Barbosa (André Moritz, 33’/2T) e Getúlio; Daniel Amorim
Técnico: Geninho