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Diante de sucessivas sucessões do Profeta, um Botafogo que esqueceu de si

Hernanes São Paulo 2017

Hernanes São Paulo 2017

É difícil explicar como uma virada épica se constroi. Três gols em oito minutos, em uma sucessiva sucessão de sucessões que se sucedem sucessivamente, como disse em sua chegada Hernanes, o craque do jogo. É a ótica do vitorioso São Paulo, revigorado após os históricos 4 a 3 no Engenhão. Mas e o Botafogo, que mantinha o triunfo debaixo do braço confortavelmente até os 38 minutos do segundo tempo? Foi, neste sábado, um time que esqueceu de si. Do que é feito, de como se solidificou. Entorpecido pelo placar folgado, esmoreceu e, quando se deu conta, o jogo tinha escapado das mãos.

Botafogo no início: barreiras para o rival

Sim, foi um bom jogo no Nilton Santos, o Engenhão. Jair Ventura mandou a campo um time parecido com o que venceu o Fluminense no Maracanã há algumas rodadas. Ainda no 4-4-2, mas com Marcos Vinícius ao lado de Roger. Mais mobilidade e criatividade, com avanços em bloco para pressionar o São Paulo. Ou talvez pressionar. Porque no fundo parecia mesmo uma estratégia de Dorival Junior dar a bola ao Botafogo e tentar inverter sua lógica de pouca posse de bola. E assim foram os 20 primeiros minutos, de um Botafogo dominante, trocando passes, com um São Paulo buscando fechar as entradas e partir em contra-ataque.

Ocorre que dentro de uma partida há de mini estratégias. Fases dentro de um duelo. Maneiras de se portar. E o São Paulo de repente rearrumou suas peças e partiu ao campo rival para pressionar o Botafogo na saída de bola. Em uma roubada, Cueva tentou enfileirar a defesa inteira do Botafogo na grande área. João Paulo tomou a frente e, um tanto quanto soberbo, preferiu proteger a pelota em vez de limá-la da área. No bate cabeça com Gatito e Igor Rabello, ela sobrou limpa para Cueva tocar para o gol. 1 a 0.

São Paulo no início: Hernanes já em destaque

Mas o São Paulo, time desconfortável pela má fase, não conseguiu segurar o ímpeto do mandante. Na saída de bola, Marcos Vinícius recebeu livre dentro da área e chutou cruzado para empatar. 1 a 1. Nenhum dos lados sequer desfrutou o gosto do gol. Tudo na mesma. O São Paulo saía para o jogo com Jucilei, tramava no meio por Hernanes. Ainda é um grande jogador, sem dúvidas. Tem o drible com as duas pernas e também os chutes potentes de fora da área. Sabe reger um meio, dita seu ritmo. Jogava mais adiantado, à frente de Petros e de Jucilei, buscando apoio de Cueva e Marcinho. Mas Pratto, estranhamente, parecia bem entricheirado dentro da defesa botafoguense.

Com o empate, o time alvinegro voltou à formação padrão. Um 4-4-2 bem fechado, com dois blocos, Marcos Vinícius e Roger mais avançados. E o São Paulo? Pecava ainda pela má fase. Em chute até despretensioso de Marco Vinícius de longe, Renan Ribeiro deixou-se enganar pelo quique da bola e aceitou. Uma falha clamorosa. 2 a 1. O São Paulo não jogava mal. A qualidade do novo meio de campo deixava isso bem claro.Toques, toques, esticada e finalização. Foram seis no primeiro tempo. Mas saiu derrotado.

Ao fim, um Botafogo espaçado

Mas o jogo estava ao feitio do Botafogo e seu contra-ataque mortal. Tinha a vantagem e bastava se fechar. Não que tivesse uma apresentação soberba, mas era organizado como sempre. Fechava espaços e buscava a saída rápida. Ao São Paulo restava atacar, agredir. Era empurrado não apenas pelo resultado parcial, mas pela incômoda posição na tabela. Faltava, no entanto, poder de fogo. Um jogo mais agudo. Marcinho era peça quase nula pelo direito, não achava espaço e se encolhia. Um a menos no ataque. Dorival percebeu.

Ataque em bloco do São Paulo ao fim

Sacou de uma vez só o próprio Marcinho e Petros. Colocou Wellington Nem pelo lado direito e Marcos Guilherme pela esquerda. Cueva deu passos para dentro do campo para se entender com Hernanes, deixando Jucilei à frente da defesa. Deu indícios que funcionaria de cara, no lançamento de Hernanes para Wellington Nem, que caiu em dividida de Carli. O pênalti inexistente cobrado por Cueva parou nas mãos de Gatito. E aí a fase indica como pode ser amarga. No lance seguinte, contra-ataque de almanaque do Botafogo, lançamento de João Paulo para Luis Ricardo pela direita. O passe para trás encontrou Guilherme, que bateu no canto direito de primeira e contou com a colaboração de Renan Ribeiro. 23 minutos do segundo tempo. Parecia tudo fadado ao fim. Mas aí a profecia de Hernanes mostrou o rosto.

“Sucessiva sucessão de sucessões que se sucedem sucessivamente”. Tudo, de fato, se sucedeu. Pois o Botafogo esqueceu de si. De suas limitações, da necessidade de fechar espaços e combater o rival. Havia jogo, havia tempo para o São Paulo se reencontrar. Pois o Botafogo ignorou tudo. Espaçou-se e praticamente teve um time de três atacantes. Permitiu ao São Paulo trocar passes e rondar a sua área à vontade. Marcos Guilherme deu o primeiro golpe, Hernane, o Profeta, o segundo, em belo arremate de esquerda. E Marcos Guilherme, diante de uma defesa atordoada, deu a pancada final. 3 a 1 para 4 a 3 em oito minutos. Parecia impossível. Não era.

Em 46 jogos na temporada, pela primeira vez o Botafogo sofreu quatro gols. A última vez que a defesa tinha sido tão vazada em 2017 fora em março, também numa virada espetacular de 2 a 0 para 3 a 2 do Fluminense. Sim, o trabalho de Jair Ventura é ótimo. O Botafogo encanta pela competência. Mas mesmo com o placar folgado, a vitória próxima do alcance, não pode relaxar. E esquecer de si.

FICHA TÉCNICA:
BOTAFOGO 3X4 SÃO PAULO

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão
Data: 29 de julho de 2017
Horário: 16h
Árbitro: André Luiz Freitas Castro (GO)
Público e renda: 14.016 pagantes / 17.139 presentes / R$ 528.120,00
Cartões amarelos: Petros (SAO)
Gols: Cueva (SAO), aos 17 minutos e Marcos Vinícius (BOT), aos 18 minutos e aos 25 minutos do primeiro tempo, Guilherme (BOT), aos 23 minutos, Marcos Guilherme (SAO), aos 38 minutos, Hernanes (SAO), aos 40 minutos do segundo tempo e Marcos Guilherme (SAO), aos 46 minutos do segundo tempo

BOTAFOGO: Gatito; Luis Ricardo, Carli, Igor Rabello e Victor Luís (Victor Lindenberg, 31’/2T); Rodrigo Lindoso, Matheus Fernandes João Paulo e Rodrigo Pimpão; Marcos Vinícius (Guilherme, 14’/2T) e Roger (Brenner, 34’/2T)
Técnico: Jair Ventura

SÃO PAULO: Renan Ribeiro; Bruno, Arboleda, Rodrigo Caio e Edimar; Jucilei, Petros (Marcos Guilherme, 19’/2T) Hernanes e Cueva; Marcinho (Wellington Nem, 19’/2T) e Lucas Pratto (Gilberto, 31’/2T)
Técnico: Dorival Júnior