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Em 12 minutos, uma história: e o Maracanã gritou “Vinicius! Vinicius!”

Vinicius Junior Flamengo Maracanã 2017

Vinicius Junior Flamengo

Em 12 minutos se conta uma história. Observam-se olhos esbugalhados, correria apressada, anseios de uma juventude angustiada em responder a todos que o esperam. Coisas de garoto. O jogo é tenso, rivalidade pesada. Estreia no Campeonato Brasileiro em um Maracanã com 50 mil pessoas. Que gritam. “Vinicius, Vinicius!”. Talvez pela expectativa de vê-lo em ação. Talvez na expectativa de contar, no futuro, que estavam lá. O técnico o chama. Mal parece acreditar. Nas passadas entre o aquecimento atrás de uma das balizas e a linha lateral, o estádio explode como num gol. A família, em um camarote, sacode os braços, saca os celulares. À frente deles, ele tira o colete e o joga no chão. Revela o número 20 às costas. Símbolo de sua passagem para o mundo dos homens da bola.

Logo ele, ainda tão garoto. 16 anos. Zé Ricardo o puxa para seu lado. Dá instruções. Ele parece hipnotizado. Olhos fixos em campo. Está ansioso. Deseja a bola. Fazer sua passagem. Ele cumprimenta Berrío e o substitui. No primeiro lance, a bola é lançada em sua direção, na ponta esquerda. O Maracanã fica suspenso. Muitos prendem o fôlego. Outros abrem a boca. Quase todos levantam. Tem o frisson de um craque, sem que ninguém tenha a certeza de que um dia, de fato, será. A tentativa de matada no peito é em vão. A bola escapa pela lateral, nervosa como a promessa do Flamengo. Ele lamenta, bate uma mão na outra. A torcida aplaude. Alguns companheiros acompanham. “Vinicius! Vinicius!”.

Robinho Vinicius Junior Maracanã flamengo Atlético-MG 2017

O abraço no ídolo Robinho no fim

Já é um xodó. De uma gente que o trata como a criança que começa a dar suas primeiras pedaladas com a bicicleta. Acham graça até dos erros. Bola na esquerda de novo. Lá vai o garoto que milhões perseguem para convencê-lo a ir logo a Madrid. Olhos esbugalhados. Olhar na redonda. Tenta hipnotizá-la. Tenta fazer com que a obedeça como no mundo dos meninos. Mas ali, pela primeira vez, é o mundo dos homens. A puxada para dentro tem estilo. A batida para a área, também. Ao seu jeito, como fez diversas vezes entre a molecada. Mas a ansiedade deixa o pé pesado. A bola viaja, sobe e passa pela linha de fundo. Guerrero, astro do time, o aplaude. “Vinicius! Vinicius!”.

A bola para de novo em seus pés pelo lado esquerdo. Na primeira, não a dominou. Na segunda, mandou longe. Agora quer ser travesso. Fazer o seu jogo. Decide protegê-la entre as pernas e usar a fantasia para ludibriar o adversário. Tenta o calcanhar. Erra. Pela primeira vez, a torcida já chia. Reclama. Vinicius, enfim, ganhou seu selo entre os profissionais. Troca de lado. Aparece pela direita. Os minutos correm e o o apito final se aproxima. Ele recebe e ginga para cima de Maicosuel. É facilmente desarmado. Não desiste, combate, está ansioso. Em vão. No último segundo, mais uma chance. Dessa vez, um cruzamento na medida da cabeça de Guererro, mas o zagueiro se antecipa. Fim de jogo, início da carreira profissional. Mas há espaço para mais.

Entre os homens, Vinicius sabe que é só um garoto. Que sonha com ídolos, imita seus movimentos. Ali está ele, Robinho. Lado a lado. Como um tiete, se aproxima timidamente e pede a camisa. Em seu dia, deseja a relíquia de quem sempre admirou. O atleticano o abraça e troca palavras com o garoto-sensação. Estupefato, Vinicius olha para onde o ídolo indica. De boca aberta. Mão no ombro de Robinho, que o agarra pela cintura. “Vinicius! Vinicius!”. Lá está o garoto, agora entre os homens. Promessa de um futuro dourado. Certeza, ninguém tem. Mas já foi diferente. Em 12 minutos talvez, se tenha feito História.

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