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O AFC Wimbledon e uma paixão do virtual ao real

Foi uma coincidência das grandes, uma conjunção mágica. Teve a ver com minha relação com o tênis, mas apenas pela região no sudoeste de Londres. No fim das contas, foi o videogame que acendeu minha grande paixão no futebol hoje: o AFC Wimbledon. Aconteceu nos idos do FIFA 12, pouco depois de eu decidir que nunca mais jogaria o modo “seasons” online. Fazia mal para minha saúde. Posso até contar essa história aqui em outra ocasião. Por enquanto, digo apenas que a solução que encontrei foi investir no modo carreira (offline).

Fiz algumas temporadas e fui campeão com o Flamengo. Joguei outras com o Vasco e fui vice em ambas, mas sentia a falta de algo que me levasse mais longe. O modo não tinha Libertadores nem Copa do Mundo de Clubes. Então quando acabava Brasileiro e Copa do Brasil, era começar de novo, praticamente do zero. Eu queria um desafio maior, mais denso.

Não tem nada mais profundo do que a quarta divisão inglesa no FIFA. Não seria fantástico tirar um time do fundo do poço e, quem sabe, chegar à Champions? Pois é, foi assim que escolhi a “League Two”. Mas que time? Meu conhecimento da quarta divisão era nulo. Fui olhando os clubes, nome a nome, para ver se alguma coisa me atraía. Aí apareceu o AFC Wimbledon. “Ah, legal. Wimbledon. Mesma região do torneio de tênis. Vou com esse time aí.” Foi mais ou menos assim, ingênuo mesmo, meu processo de decisão.

Na época, o camisa 10 do time era o grande Jack Midson. “Grande” para o time naquele momento da história. Hoje, Jack (me permito chamá-lo pelo primeiro nome) joga em um time de Conference, como são chamadas as divisões inferiores à quarta na Inglaterra. E foi com ele, o grande Jack Midson, nosso capitão, que joguei a Champions pela primeira vez. Os sites jornalísticos de hoje chamariam de campanha épica e histórica.

Em Wembley, Adebayo Akinfenwa converte o pênalti que sacramenta a subida do AFC Wimbledon para a terceira divisão inglesa

O game me fez buscar mais informações sobre o AFC Wimbledon. Descobri uma das histórias mais emocionantes do futebol. O time, antigamente chamado Wimbledon FC, chegou a conquistar a FA Cup tempos atrás, com o brucutu Vinnie Jones no elenco (sim, aquele que muitos conhecem apenas como “ator Vinnie Jones”). Mais tarde, o clube entrou em crise, mudou de dono e de sede. Em 2002, o Wimbledon foi levado para Milton Keynes, onde existe hoje como MK Dons (o “Dons” vem de WimbleDONS).

A região de Wimbledon ficou órfã. Os torcedores, então, resolveram fundar outro clube, o AFC Wimbledon. Isso foi na década de 2000. Fizeram testes em um parque da região e montaram o clube do zero, sem sede, sem estádio e quase sem dinheiro. Um clube sem dono, administrado por um Fundo de torcedores, que nem uniforme tinha. No primeiro jogo, vestiu o kit dos funcionários da Sports Interactive, fabricante do game Football Manager, que fez um modesto investimento como primeiro patrocinador. O sucesso foi estrondoso. Em nove anos, o AFC Wimbledon saiu da última divisão do futebol inglês e alcançou a League Two. Um exemplo de paixão, competência administrativa e determinação.

Hoje, depois de uma final dramática em Wembley – que vi roendo as unhas num stream pirata ucraniano – o Wimbledon está na League One, a terceira divisão inglesa. O clube organiza excursões para levar seus fãs aos jogos fora de casa, tem pacotes de hospitalidade para jogos em Kingsmeadow (estádio que usa como mandante), criou uma cerveja própria servida em um bar nas redondezas da sede e está perto de conseguir aprovação de Londres para construir um estádio próprio.

Mesmo com pouco dinheiro e uma estrutura modesta, é de fazer inveja aos clubes brasileiros. Resumindo? Dá gosto torcer pelo AFC Wimbledon e curtir essa paixão, seja num stream pirata ucraniano, no “tempo real” dos jogos pelo Twitter do clube ou nos vídeos de dois minutos de melhores momentos que são postados 24 horas após as partidas.

No game, ano após ano, levo o AFC Wimbledon a grande glórias. Adebayo Akinfenwa esteve na Premier League e fez gol de título da FA contra o Chelsea. Jack Midson, lá atrás, levantou a taça da Champions. E gente da estirpe de Cristiano Ronaldo, Paulo Dybala e Gareth Bale já vestiu o azul e amarelo dos Real Dons. Sem falar no guerreiro viking Jesper “The Giant” Maholli, o Beowulf dos gramados. Não, essa paixão nunca vai superar minha relação com o Flamengo, mas é gostoso saboreá-la, e devo isso para sempre ao FIFA. Valeu, EA Sports.

 

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