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Vaga, mas terceira derrota seguida: rendimento do Flu deve fazer Abel repensar

Wellington Fluminense 2017 Liverpool Paraguai
Abel Braga Fluminense Liverpool

Abel Braga esbraveja com o time diante da má apresentação no Paraguai

No início da temporada, o Fluminense de Abel encantou com o futebol mais vistoso do futebol carioca. Um contraste com a equipe que se arrastava no fim de 2016. Ofensividade, troca de posições, muita movimentação e farra de gols. De lá para cá, no entanto, já se passaram quase quatro meses. Tempo necessário para que estilo de jogo tricolor fosse estudado e o nível dos adversários, com o andar da temporada, naturalmente fosse elevado. Depois da classificação agonizante diante do Liverpool, do Uruguai, Abel terá mesmo de repensar.

Talvez o abatimento com a perda do título carioca tenha influenciado a postura tricolor. Talvez a vantagem de 2 a 0 construída no jogo de ida, no Maracanã, também tenha colaborado para um relaxamento. Talvez tenha sido apenas desorganização. Mas são muitos talvez para um trabalho que iniciava a temporada de maneira tão promissora. De novo, o Tricolor foi a campo com seu 4-3-3. Mas muito espaçado, sem velocidade. Acabou impactado pelo adversário, facilmente batido em casa, postado em um 4-5-1 e que dominou do meio para frente.

Flu no início do jogo: tradicional 4-3-3

Mesmo em condição difícil no campeonato paraguaio, o Liverpool mostrou confiança e partiu para o abafa inicial, com alta dose de bolas alçadas à área. O Fluminense respondeu mal. Nervoso, errava passes em sequência pela frente e promovia o bate e volta da bola à sua área. Henrique e Renato Chaves, então, tinham de se virar diante das investidas. Em uma adiantada dos zagueiros, o golpe.

Em velocidade, Royón foi lançado pelo lado direito, nas costas de Henrique. Renato Chaves tentou fechar o meio, mas não evitou o cruzamento para Ramírez, livre, tocar para o fundo da rede. 1 a 0 com apenas 13 minutos de jogo. Um Fluminense irreconhecível era sufocado como no primeiro jogo da decisão do Carioca. A diferença era o nível do adversário. O Liverpool é bem inferior ao Flamengo. Então alguns problemas ficaram claros.

Com a saída de Scarpa, Wellington deixou o lado esquerdo para dar lugar a Richarlison. Ocorre que os melhores jogos do camisa 11 do Fluminense foram justamente pelo setor. Na direita, tem mais dificuldades e busca, invariavelmente, o meio, chocando-se com Henrique Dourado, de pouca mobilidade, por vezes. A movimentação do trio da frente fica embolada e, diante do Liverpool, permitiu que os ataques fossem parados com facilidade. Sornoza, afoito por uma bola, recua mais do que o indicado. Tem poucas chances de ter posse na frente e volta antes da linha de campo.

É verdade dizer que, no segundo tempo, o Fluminense voltou melhor. Mas diante da apresentação sofrível da primeira etapa, qualquer mínima organização resultaria em um jogo mais compatível com o início de temporada. Lucas voltou a ser explorado mais à frente, Richarlison deixou o lado esquerdo dom frequência para tentar o arremate na grande área. Acertou o travessão em uma oportunidade. A movimentação era melhor. Mas um jogo ainda aquém. O Liverpool, então, se recolheu a um 6-3-1, mantendo seis homens na defesa para evitar as investidas laterais do Tricolor.

Flu ao fim da partida

Com a classificação ainda indefinida, Abel tentou lançar cartas para oxigenar a equipe. Wellington saiu para a entrada de Marcos Junior. No apagar das luzes, Richarlison deixou o campo para a entrada de Marquinho. Henrique deu vaga a Pedro. Geralmente ofensivo, o Fluminense teve de se retrair para segurar a vaga com a terceira derrota nos últimos quatro jogos. A classificação veio, mas as dúvidas aumentaram. De novo, o Fluminense acabou travado.

O retorno de Scarpa no Brasileiro poderá permitir a Abel Braga variar o estilo de jogo. Ainda que decida permanecer no 4-3-3, Wellington poderia voltar à esquerda, Scarpa pelo lado direito e Richarlison, mais ágil do que Henrique Dourado, ser o homem mais avançado. A mobilidade do ataque aumentaria. Mas há, também, de se pensar em uma saída para os pontas presos.

Quem decide travar o Fluminense, começa bloqueando os lados do campo. O jogo pelo meio não flui e Sornoza acaba obrigado a voltar antes do meio de campo para fugir da marcação e buscar a bola, como fez no primeiro Fla-Flu da final e diante do Liverpool, ou jogar mais próximo do ataque, como arriscou no segundo Fla-Flu, o que deixa o meio apenas com Wendel e Orejuela. O grande desafio da temporada começa agora e o Fluminense deixou o Paraguai classificado. Mas Abel leva ótimos motivos para repensar o jogo tricolor.

FICHA TÉCNICA
LIVERPOOL-URU 1×0 FLUMINENSE

Local: Centenário, Montevideu (URU)
Data: 10 de maio de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Juan Soto (VEN)
Cartões Amarelos: Toma e Cantera (LIV) e Diego Cavalieri, Sornoza e Henrique Dourado (FLU)
Gol: Ignacio Ramírez (LIV), aos 13 minutos do primeiro tempo

LIVERPOOL-URU: De Amores, Rodales, Platero, Mallo e Almeida; Toma (Gustavo Viera, 30’/2T), Cantera (Pablo García, 39’/2T), Aprile e Federico Martínez (Cristian Antúnez, 44’/2T); Royón; Ignacio Ramirez
Técnico: Alejandro Bertoldi

FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Lucas, Renato Chaves, Henrique e Léo; Orejuela, Wendel e Sornoza; Wellington (Marcos Junior, 30’/2T), Henrique Dourado (Pedro, 41’/2T) e Richarlison (Marquinho, 45’/2T)
Técnico: Abel Braga

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