


Dia 25. Não deveria mais surpreender. Eram cinco Copas consecutivas com uma queda nas quartas de final. A Seleção Brasileira, esse símbolo mundial de futebol, cada vez mais derrete. Passa aos poucos a ser apenas um borrão no passado, com grandes ídolos sentados em tribunas, arrochados em ternos nem tão bem trajados. Um passado glorioso que, descrente, observa o presente de plena decadência. Não é anormal e sequer surpreendente que o Brasil tenha sido eliminado pela Noruega. Entre mandos, desmandos, técnicos que vêm e técnicos que vão, o padrão brasileiro hoje está ali. Assusta a maneira como perdeu a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo. Meros 34% de posse de bola. Não é aceitável.
Gol dele.
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Este espaço mesmo dizia sobre o Paraguai diante da França. Há várias maneiras de disputar um jogo de futebol e o modelo de jogo escolhido pelo técnico não deve ser problema. A não ser que a sua herança histórica, o seu DNA não permitam. No caso do Brasil, nada permite. Ainda assim, Carlo Ancelotti renunciou a qualquer fagulha do passado e estipulou a sua maneira à italiana de disputar uma partida. Fracassou redondamente. Novamente, não é a ideia em si que foi um desastre. Mas, sim, a maneira como aplicada. Um Brasil com jogadores que simplesmente assistiam à Noruega trocar passes com pouca intensidade, analisar o melhor momento de construção das jogadas. Recusar a bola de tal maneira é trair a ideia estabelecida do futebol brasileiro ao longo de décadas.
Colecionemos os inúmeros poréns na cesta de Carleto. Pouco tempo de preparação, ciclo – que palavrinha – atabalhoado, várias lesões de jogadores importantes. Tudo isso é relevante. Mas voltemos a destacar, tal qual um mantra: 34% de posse de bola é inadmissível. Criou, ali, uma Seleção Brasileira passiva, observadora dos adversários, frágil. Fatalmente o monumental Haaland balançaria a rede em meio a tanta calmaria. A punição veio em dose dupla. Ancelotti, no seu desfile de erros, pôs Neymar em campo. Afastou Vinicius Junior e Endrick para os lados, fez o time desmoronar ainda mais. Completou o circo ao qual tinha se submetido desde a já folclórica convocação festiva em maio.
O segundo gol da Noruega. pic.twitter.com/MP02KgJhF9
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Dedos serão – e já estão – apontados a Vinicius Junior, o guri que pegou a bola e carregou o time por inúmeras vezes. Fosse ele individualista e cobrasse a penalidade à revelia do técnico seria criticado. Como não o fez e reconheceu em Bruno Guimarães maior capacidade, também acaba muito questionado. Ônus que carrega desde os 16 anos, quando se apresentou ao mundo da bola como jovem talento. Justificativas para culpá-lo sempre existirão. Ancelotti tem de ficar até 2030. Assinou contrato, que o cumpra. Mas é necessário que tenha entendido o jeito brasileiro. Não apenas em carnavais, peças publicitárias e no portuliano pelo qual se comunica. A essência que aos poucos parece desaparecer. Um Brasil competitivo, que possa jogar de diferentes maneiras e não tão covarde como ocorreu neste 5 de julho de 2026. A maior vergonha das Copas, o 7 a 1, é brasileira. De lá para cá tudo só piorou. Carleto tem a chance de modificar o panorama. Só não deve rejeitar o DNA brasileiro de forma tão impactante. No mais, a Copa segue. Ainda bem.
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