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Cruzados da Copa, dia 26: Bélgica impõe derrota, mas mancha da Copa é eterna

(Twitter Belgian Red Devils)

(Twitter Belgian Red Devils)

Dia 26. A partir do momento em que a Fifa oficializou em seu site a liberação de Balogun para os Estados Unidos, o mundo da bola deveria ter parado. Sim, eu sei que daí você pensa que pedir isso do sofá, sentado a milhares de quilômetros de distância dos bastidores nefastos do poder é fácil. Provavelmente é. Mas era necessária uma atitude drástica, com veemência. A alma do futebol não poderia ser sequestrada por Gianni Infantino e Donald Trump. O futebol não os pertence. É de toda uma comunidade. Universal, vários povos, várias línguas, variadas culturas. Coube à Bélgica entrar em campo e, com altivez, despachar um dos maiores absurdos da história das Copas mesmo prejudicada.

Até simpatizávamos, no geral, com a seleção norte-americana dessa vez. Estreia avassaladora, futebol intenso. Quem sabe estariam mesmo aprendendo algo sobre o esporte mais popular do mundo. Que nada. Sob as rédeas de Trump, a anulação da suspensão – já que o cartão vermelho foi mantido – de Balogun é uma aberração. Fere o esporte em seu espírito, em sua alma. Sempre houve uma consciência coletiva, uma proteção implícita ao futebol. Ainda que erros de arbitragem aconteçam, que expulsões talvez não tenham sido merecidas há pactos que não devem ser quebrados. Um jogador expulso não pode atuar na próxima partida. Principalmente após intervenção externa e no maior torneio do mundo. Infantino permitiu.

Não só permitiu como foi completamente humilhado por Donald Trump em sua confissão de que, sim, tinha feito uma manifestação por não ter achado justo. De joelhos, dona Fifa acatou a ordem e pôs em dúvida a Copa do Mundo de 2026. Teve de recorrer a um argumento tacanho com Cristiano Ronaldo e Portugal. Em vão. Questionamentos sobre a legitimidade do torneio cresceram. Precedente foi aberto para que outras seleções busquem alguma benesse extracampo – a França, informa a imprensa do país, se agita para anular o cartão amarelo de Olise contra o Paraguai. Um desastre. Rudi García e seus comandados impuseram uma derrota histórica, vexatória aos Estados Unidos de Mauricio Pochettino. O argentino sai chamuscado para sempre. Frequentador da elite da bola, Pochettino embarcou na fantasia de Trump e Infantino. Desrespeitou quem tanto lhe deu, a bola. Indesculpável.

Quando Lukaku marcou o último gol da vitória de 4 a 1, colocou a mão no ouvido e dançou ao ritmo de Trump o mundo respirou aliviado. E, no fundo, até gargalhou da desgraça alheia. Foi pouco até. Infantino merecia mais. De todo modo está registrado na história como o presidente que permitiu a interferência externa na Copa do Mundo. Feriu o que o esporte tem de mais sagrado. Balogun jogou, na verdade, uma enorme mancha na Copa de 2026.

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