Cruzados da Copa, dia 28: o ranking das Copas, memórias e a vida que presta
9 de julho de 2026
Cruzados da Copa, dia 30: um mês de uma Copa dos craques inacessíveis
11 de julho de 2026

Cruzados da Copa, dia 29: eram os franceses astronautas?

Dia 29. Em 1968 um suíço chamado Erich von Däniken publicou um livro entitulado “Eram os deuses astronautas?”. Basicamente, Däniken elaborou uma tese, sem comprovação científica, de que construções do mundo antigo como as Pirâmides do Egito e as estátuas da Ilha de Páscoa eram frutos de avançada tecnologia extraterrestre. Isso aí. Para o hoteleiro suíço – seu ofício original – os povos antigos eram absolutamente incapazes de erguer monumentos tão fantásticos e a única explicação possível seria que tudo tenha sido engenharia de um alienígena qualquer. A obra ganhou corpo, documentário chamado “Carruagem dos deuses” e você já deve ter ouvido falar sobre. Quase seis décadas depois cá estamos na Copa do Mundo de 2026 com um emaranhado de franceses a encantar e espantar o mundo. Lá na frente, certamente, haverá a pergunta se Mbappé e companhia eram tudo isso ou apenas uma turma de outro planeta.

Vale, claro, para Messi também. Pelé passou a conviver com uma, pasmem, desconfiança sobre seu brilhantismo e pioneirismo de uns tempos para cá. E todos os jogadores das antigas. Romário não era tudo isso. Ronaldinho muito menos. Zico nem pensar. Beckenbauer? Cruyff revolucionou o quê se jogava diante de fazendeiros? A sociedade, em geral, tende a duvidar, por vezes menosprezar o passado. Seriam eles tão brilhantes a ponto de atingir feitos extraordinários que poucos – ou quase ninguém – no presente consegue? Pois olhemos para a França. Tinha tudo para ser um jogo muito disputado. Marrocos em franca ascensão, time físico, muito técnico também, já com uma semifinal no currículo. E lá foi a equipe de Didier Deschamps com sua arte de fazer tudo parecer fácil. Vitória no bolso, tranquila, com direito a pênalti perdido e sem grandes sustos. Num jogo de quartas de final de Copa do Mundo.

Os franceses chegaram à sua terceira semifinal seguida, prometendo emplacar também a terceira decisão. A Seleção Brasileira teve sua época de brilho da mesma maneira. Entre os final dos anos 50 e o início dos anos 70 foram três títulos em quatro Copas. Entre os anos 90 e o início dos 2000, dois títulos em três finais. Ets, jogadores de outro mundo, abençoados. Adjetivos não faltavam para o Brasil de Romário, Bebeto, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Cafu, Roberto Carlos. Ainda assim há atualmente alguns torcedores, em maioria jovens, que usam a descrença como arma contra essa turma. E mais ainda de Pelé e companhia nos anos 50 e 60. Anotem: daqui a 30 anos muitos vão duvidar da capacidade de Mbappé, Dembelé, Olise e tantos outros jogadores especiais. São fenômenos – perdão, Ronaldo – dos tempos atuais. São apontados como favoritos, reúnem talentos como poucos e conseguem confirmar as previsões.

Mbappé chegou aos 20 gols em 20 jogos de Copa do Mundo. Tem apenas 28 anos. Decide, explode, capitaneia a França mesmo quando parece que vai falhar. O pênalti perdido diante de Bono pareceu detalhe. Tem paixão por decidir. Olise tem magnetismo com a bola no pé. Antevê espaços, simplifica ideias. Dembelé ambidestro, liso, de volta às redes na Copa. Parece difícil tirar o tricampeonato das mãos francesas. Messi conseguiu em 2022. É uma geração que já marcou sua era. Quem a acompanhou estará no pelotão de frente de defesa. Mas lá na frente, daqui algumas décadas, o desdém virá. Dúvidas surgirão. Debates com descrença. E alguém, no fundo, vai perguntar: “eram os franceses astronautas?”. Porque parecem mesmo ser de outro mundo.

Confira todos os Cruzados da Copa aqui