Jan Marquinhos Calazans Fluminense Palmeiras
Destroçado, Flu sucumbe ao Palmeiras: mesmo com todas as fichas, difícil resistir
10 de junho de 2017
Roger Botafogo Coritiba Engenhão
Testado fora de seu manual de jogo, Botafogo de novo mostra dificuldades para vencer
11 de junho de 2017

Um ídolo para chamar de seu: Vasco usa Luis Fabiano e se reergue diante do Sport

Luis Fabiano Vasco Sport São Januário

Luis Fabiano Vasco Sport São Januário

A derrota elástica para o Corinthians no meio de semana abalou a estrutura do time vascaíno. Fosse um time inteiramente formado por jovens, reerguer-se de imediato seria tarefa quase impossível. Mas o Vasco de 2017, ao contrário dos anos em que teve a inglória luta contra degola, contratou Luis Fabiano não apenas para ser seu centroavante. E, sim, ser também a figura na qual se agarrar em disputas pesadas. A ilha de experiência. De novo, Fabuloso vestiu a capa de super-heroi da Colina diante do Sport. Foi ele quem abriu o caminho para o triunfo de 2 a 1. É nele em que as esperanças são depositadas nos jogos em São Januário.

Depois de sofrer cinco gols em casa no jogo anterior, natural que a preocupação de Milton Mendes fosse o sistema defensivo. Wellington voltou ao meio de campo justamente para proteger mais a zaga. Inicialmente, parecia um 4-1-4-1, com Jean um pouco mais avançado. Mas, naturalmente, o volante recuou para alinhar com Wellington e o time indicou mais o 4-2-3-1. A questão era que Douglas, sempre responsável pela saída de bola vascaína, estava na ponta direita. Mateus Vital ao centro, Manga pela esquerda, com Luis Fabiano à frente.

Vasco no início: pouca criação

O camisa 9 vascaíno já é adorado pela torcida. A arquibancada explode ao gritar o seu nome. Experiente, atacante de Copa do Mundo, ele sabe como a banda toca. Já melhor condicionado, dá piques, tenta morder a defesa adversária, demonstra disposição, bate no peito. E traz a massa. O problema residia na falta de espaços para criação. Assim como no confronto com o Flamengo, o Sport estava postado em um 4-4-2 ao atacar, pressionado em cima da saída de jogo do Vasco. Ao defender, apenas André ficava à frente. O embate no meio de campo causou dificuldades e um jogo feio. Milton tentou alternar Douglas e Mateus Vital, entre ponta e centro, mas pouco funcionou. Jogo truncado, pegado. E feio.

Houve, então, apenas dois momentos de perigo no primeiro tempo. Do lado de Sport, a tabela entre Osvaldo e Rithely pelo lado direito, que terminou com finalização perto do gol. Do lado do Vasco, uma levantada de Mateus Vital para a área que, na sobra, ocasionou o chute de Luis Fabiano, embaixo, para boa defesa de Magrão. A Colina explodiu em “Luís Fabiano!” no intervalo. Tinha em quem depositar a confiança. Mas Milton Mendes sabia que precisaria ajudá-lo.

Na volta, não havia dúvidas. Nenê na vaga de Wellington, Douglas recuado à função de segundo volante. Nenê na esquerda, Manga no lado direito e Mateus Vital centralizado. Com muita movimentação, o Vasco passou a confundir a marcação do Sport, até então bem postado. Com o zigue-zague dos marcadores, os espaços apareceram. Nenê ia e voltava do centro para a esquerda, trocando com Mateus Vital. Em uma dessas alternadas, o meia girou no bico da área e enxergou Luis Fabiano, com o braço levantado. O cruzamento foi certeiro e a cabeçada, de almanaque. No cantinho esquerdo de Magrão. 1 a 0.

Luis Fabiano, então, estufou o peito. Assumiu o time para si. Indicava posicionamento, voltava à defesa para combater escanteios ou cobranças de falta. Luxemburgo ousou com Leandro Pereira na vaga de Anselmo. Deixou o Sport mais à frente, embora disposto a contra-ataques. E tome bola lançada na área. A insegurança, então, ameaçou invadir São Januário. A fragilidade da defesa vascaína no Brasileiro atrapalha. Não inspira confiança na arquibancada. Sempre há a possibilidade de sofrer um gol. Foram 18 cruzamentos e 34 lançamentos do Sport na partida, de acordo com o site Footstats. Milton Mendes entendeu.

Vasco ao fim: três zagueiros

Depois de tirar Manga, cansado, e colocar Evander na direita, decidiu sacrificar Mateus Vital e plantar Jomar na área ao lado de Breno e Paulão. Três zagueiros, com um bloco de quatro na frente, com Nenê ou Evander mais adiantado para acompanhar Luis Fabiano ao atacar. A barreira da Colina estava armada. Não por convicção. Era mais receio de levar o gol de empate. Uma solução para minutos. Luis Fabiano, no embalo da torcida, cortou de bicicleta uma bola alçada na área. A arquibancada pulsava, vaiava cada passe do Sport. Tentava transformar São Januário no caldeirão de sempre. Mas havia receio. Aos 45 minutos, não havia mais.

Em rápido contra-ataque, Nenê avançou pelo meio e achou Evander pela direita. Quase sem espaço, ele cruzou e Douglas, na segunda trave, bateu para o fundo da rede. 2 a 0. Alívio que se transformou, novamente, em angústia quando Gilberto atropelou Leandro Pereira dentro da área. Sexto pênalti contra o Vasco em seis rodadas no Campeonato Brasileiro. André bateu, diminuiu, mas o árbitro decidiu que não havia tempo para mais nada. Mesmo receoso, o Vasco tem a sua ilha de experiência para se atracar. Alguém para lhe garantir pontos em casa e abrir os caminhos para as vitórias. O caminhar para o vestiário era lento, com os braços erguidos, as mãos batendo palmas. “Luís Fabiano”, gritava a Colina. O vascaíno, ao que parece, tem um novo ídolo para chamar de seu.

FICHA TÉCNICA:
VASCO 2X1 SPORT

Local: São Januário
Data: 10 de junho de 2017
Horário: 19h
Árbitro: Caio Max Vieira (RN)
Público e renda: 9.485 pagantes / 10.273 presentes / R$ 291.615,00.
Cartão amarelo: Osvaldo (SPO)
Gols: Luis Fabiano (VAS) , aos 17 minutos e Douglas (VAS), aos 45 minutos e André (SPO), aos 48 minutos do segundo tempo

VASCO: Martín Silva; Gilberto, Breno, Paulão e Henrique; Wellington (Nenê / Intervalo) e Jean; Douglas, Mateus Vital (Jomar, 36’/2T) e Manga (Evander, 23’/2T); Luis Fabiano
Técnico: Milton Mendes

SPORT: Magrão; Samuel Xavier, Ronaldo Alves, Durval e Patrick; Anselmo (Leandro Pereira, 28’/2T), Rithely, Thallyson (Sander / Intervalo) e Thomás (Rogério, 10’/2T); Osvaldo e André
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Os comentários estão encerrados.