

Dia 6. Há uma mística que envolve a Copa do Mundo. Há que tenha tentado alcançá-la e nem mesmo chegado perto. Há quem tenha tentado erguê-la por diversas oportunidades e conseguido quando nada mais parecia indicar que, sim, se pode. É o Olimpo da bola. Onde deuses e semideuses habitam e conversam entre si como iguais. Eternizam-se em formas terrenas diante dos nossos olhos mortais. Pelé, o soco no ar e a camisa dourada de 1970. Maradona e o arranque com leveza e fúria em 1986. Romário e os braços abertos em 1994. Ronaldo com o corte cascão e o sorriso escancarado em 2002. Mbappé, infernal, em 2018. E, claro, Messi em 2022. O gênio da 10 argentina parecia já eternizado em uma só forma. Barbudo, emocionado e simplesmente absurdo no Qatar. Mas Messi, insistente, habita o Olimpo e ainda caminha com naturalidade entre os mortais. Vez e outra desce e nos lembra: ainda está por aqui. É o futebol que se recusa a abandoná-lo.
ELE NÃO É DESSE PLANETAA!! 👽🥵 Impossível descrever com palavras o que Lionel Messi fez contra a Argélia em sua estreia na Copa do Mundo de 2026. Desfrutem enquanto ainda podem! #CoberturaCazéTV #CopaNaCazéTV pic.twitter.com/9cgUkpePsp
— CazéTV (@CazeTVOficial) June 17, 2026
O deleite de assisti-lo diante da Argélia, às véspera de completar 39 anos, é saboroso. Néctar dos deuses da bola. Pois, veja, a Argentina não foi tão absurdamente superior assim. Mas tinha Messi. O gênio que desce do Olimpo e tudo vê. Ou antevê. Balançou a rede por quatro vezes. Valeram três. A bola no ângulo, o rebote com simplicidade genial, a chapada registrada. A leveza nos movimentos e o entendimento do espaço e do tempo como ninguém ao seu redor. Ainda está tudo ali. Impressionante. Mesmo que tenha se afastado dos maiores holofotes, abraçado uma liga muito menos competitiva, Messi contraria a natureza. E o futebol se recusa a abandonar mente tão cerebral, magia tão aguçada. É um jogo de sedução no qual o Camisa 10 jamais perde a não ser que um dia assim decida. O argentino de Rosario se sente inteiramente um dos seus. De sua gente. Está livre, leve. Diverte-se com a bola como nunca. Ainda não se sabe como será eternizado. Coleciona recordes, levanta taças. 16 gols em Copas do Mundo. No topo da lista ao lado de Klose. E contando.
Podemos dizer que, de fato, a Copa estreou agora. Os portões do Olimpo se abriram com toda a mística deste torneio que aponta grandes, gigantes, históricos e eternos. Mbappé, um pouco mais cedo, já tinha avisado o que viria pela frente. Um francês que conversa com Messi, teve ajuda do argentino na mais fantástica final de Copas há quase quatro anos. Não é, no entanto, de igual para igual. Entre Lionel e Kylian ainda vai uma enorme distância. Haaland, em meio às duas apresentações, tentou se candidatar a impressionar o mundo. Mas, por enquanto, é meta impossível a atingir. Feliz, quase quarentão, mais tranquilo nos Estados Unidos, Messi nos ensinou que ainda está no mais alto nível. Dita a elite. E assim fará até quando quiser. Pois o futebol já deixou claro: nunca lhe dará adeus.
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