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Botafogo abandona convicção, queima crédito e sofre ao oferecer o que não pode dar

Sassá Botafogo Libertadores Barcelona-EQU

Sassá Botafogo Libertadores Barcelona-EQU

Com um elenco tão na conta do chá e capacidade financeira aquém de outros gigantes brasileiros, o Botafogo despertou elogios por superar limitações com uma concentração acima do normal. Organização impressionante e determinação para cumprir estritamente as ideias de Jair Ventura. O escorregão poderia vir em uma distração. Não tardou. Banco e campo acabaram seduzidos pela boa campanha na Libertadores e o time deixou a convicção de lado para tentar dar ao torcedor o que não tem. O resultado foi uma derrota de 2 a 0 diante do Barcelona de Guayaquil, no Nilton Santos, o Engenhão, construída em apenas 26 minutos.

No confronto entre as equipes no Equador, o Botafogo entrou em campo no seu 4-4-2 bem fechado, mas se surpreendeu. Teve espaço, lançou-se à frente e acabou vítima dos contra-ataques do mandante. No Rio, talvez tenha imaginado que a lógica seria a mesma. Jair, então, ousou. Sem Bruno Silva, peça fundamental no meio, escalou três atacantes de ofício – Pimpão, Sassá e Guilherme. Até aí, nada de mais. Na parte final do empate em 1 a 1 no Equador os três jogadores estavam em campo e ainda assim o time mantinha o 4-4-2, com Guilherme e Pimpão pelos lados, mas mais postados ao meio. No Nilton Santos, os três eram, de fato, atacantes. O time não se reconheceu.

Botafogo ofensivo no início do jogo

Em um 4-2-3-1, o Barcelona impactou o rival com uma marcação adiantada, buscando tirar proveito da rara predileção botafoguense escancarada pelo ataque. Em seis minutos, acabou recompensado. Após cobrança de lateral, Gabriel Marques ganhou pelo alto e a bola caiu no pé de Alemán. Do lado esquerdo, ele notou Emerson Santos, o zagueiro improvisado de lateral, muito avançado e um buraco entre ele e Carli. A bola foi lançada para a corrida de Ayoví, que disparou na frente do zagueirão e tocou na saída de Gatito. 1 a 0.

Bruno Silva fazia falta. Ali ele ocuparia o espaço e o time dificilmente sofreria tanto pelo lado esquerdo. O gol sofrido tão cedo forçou o Botafogo a se lançar ainda mais à frente, ignorando a tabela. Com a vitória, o Barcelona era quem deixaria o gramado classificado por antecipação. Jair tentou mudar, trocando Guilherme com Pimpão, da esquerda para a direita. Não funcionou. A equipe estava espaçada, longe da organização que a caracterizou na Libertadores. Camilo não criava, Sassá parecia isolado, com uma correria em vão. O Barcelona chegava de pé em pé, com triangulações que passavam por Alemán e iam até Valencia e Ayoví pelos lados, aplicando velocidade. Aí, o segundo golpe.

Após novo lateral, a bola espirrou para o ataque e Álvez cabeceou para cima. Emerson Silva parou, Gatito se atrapalhou ao sair para fora da área. A pelota sobrou para o atacante que entrou sozinho e só bateu para a rede diante do gol vazio. 26 minutos, 2 a 0. Um desafio que o Botafogo ainda não tinha enfrentado na Libertadores. Desconcentrada, a equipe ainda cedeu mais um ataque quase fatal ao Barcelona. Valencia tocou na saída do gol, mas Emerson Silva afastou a bola. O intervalo era necessário.

Seria a chance de Jair Ventura reorganizar o time à sua maneira. Mas além de Montillo e Bruno Silva, desfalques garantidos antes da partida, ele perdeu Camilo e Emerson Silva, lesionados. Com tantas limitações, fez o que pôde. Organizou o time em um 4-2-3-1, com Roger centralizado atrás de Sassá, Pimpão e Guilherme pelas pontas. Airton e João Paulo, os volantes, também avançavam. Jair mudara o esquema, mas não abdicou do ataque. Estádio cheio, torcida ansiosa, possibilidade de garantir a vaga antecipada. Tinha, mesmo, a obrigação de atacar. Tentou pelo chão e pelo alto.

Botafogo ao fim da partida

Foram 24 cruzamentos e 48 lançamentos, de acordo com o site Footstats. Conseguiu três chances por cima. Roger, por duas vezes, perdeu boa oportunidade. Uma ao finalizar em cima do goleiro Banguera e outra ao cabecear sozinho para fora um belo cruzamento de Emerson Santos. Tranquilo, o Barcelona segurava o abafa e saía no contra-ataque para segurar a bola. Não ousava disparar à área alvinegra. Cozinhava a partida, de passe em passe.

Com 2 a 0 no placar e a vaga no bolso, não havia mesmo o que fazer. Apenas girar o jogo e tentar segurar o ímpeto de um Botafogo que se lançava à frente com quatro ou cinco jogadores por vez. Era desespero por um gol que, talvez, reacendesse o jogo e torcida. Ele não veio. Derrota confirmada, decepção na arquibancada cheia. O Botafogo abriu mão de sua convicção e queimou seu crédito de conforto no Grupo 1. A vaga ainda é uma realidade próxima. Mas convém não tentar mais oferecer o que não pode dar.

FICHA TÉCNICA:
BOTAFOGO 0 x 2 BARCELONA-EQU 

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão
Data: 2 de maio de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Mario Díaz de Vivar (PAR)
Público e renda: 31.435 pagantes / 34.034 presentes / R$ 1.520.630,00
Cartões amarelos: Airton, Marcelo e Rodrigo Pimpão (BOT) Pineida, Calderón e Velasco (BAR)
Gols: Ayoví (BAR), aos seis minutos e Álvez (BAR), aos 23 minutos do primeiro tempo

BOTAFOGO: Gatito; Emerson Santos, Carli, Emerson Silva (Marcelo / Intervalo) e Victor Luis; Airton (Fernandes, 35’/2T), João Paulo e Camilo (Roger / Intervalo); Guilherme, Sassá e Rodrigo Pimpão
Técnico: Jair Ventura

BARCELONA-EQU: Banguera; Velasco, Aimar, Arreaga e Pineida; Gabriel Marques e Calderón (Segundo Castillo, 35’/2T); Valencia (Castillo, 27’/2T), Alemán (Ariel, 23’/2T) e Ayoví; Álvez
Técnico: Guillermo Almada

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