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Eficiência e Jefferson levam o Botafogo a pregar peça em um Fluminense superior

Kieza Botafogo clássico Fluminense gol Brasileiro 2018

(Twitter / Botafogo)

Sornoza Fluminense 2018

(Flickr / Fluminense)

O futebol é dos esportes mais travessos. Não é raro ver embates em que fracos e fortes medem forças sem tanto desequilíbrio, abrindo a possibilidade de vitória lado a lado. Não que Botafogo e Fluminense tenham tamanha disparidade técnica a ponto de serem colocados em diferentes prateleiras no futebol brasileiro. Mas no recorte do clássico desta fria segunda-feira carioca, o velho esporte bretão, diriam saudosos cronistas da época de ouro, pregou daquelas peças típicas. Sim, o Fluminense foi amplamente superior na maior parte do jogo. E, sim, o Botafogo venceu o jogo. Eficiente em um 2 a 1 que agradou pelo duelo de ideias. No frigir dos ovos, a bola na casinha é o que vale no micro. No macro, o lado tricolor tenta ver o panorama geral. Há motivos para sorrisos de ambos os lados.

Bota no início: Espaços com avanços de Lindoso, Kieza sem ajudar na marcação

Claro, os torcedores do Fluminense não vão ficar satisfeitos com uma derrota. Seria uma sandice. Mas há ali no moldar de Abel Braga uma maneira de jogar. Os jogadores se encontram em campo já com alguma facilidade, há velocidade pelos lados e Sornoza não é o clássico camisa 10. É um moderno camisa 10. O jogo gira por ele. Rápido, combate e ataca incansavelmente, é aguçado no passe e tem gosto pelas finalizações. Ele estava inspirado. No já tradicional 3-4-3, o Fluminense empurrou desde o início o Botafogo em seu campo. Adiantou zagueiros, liberou Ayrton Lucas e, principalmente, Gilberto às costas de Gilson e pôs uma velocidade eletrizante para cercar o rival.

O Botafogo, mesmo em seus domínios, apesar do estádio quase vazio, tentava tirar a espada da bainha e duelar. O time alterna entre o 4-1-4-1 e o 4-2-3-1 em alguns momentos. Matheus Fernandes adianta e Renatinho chega ao lado ou recua para se juntar a Lindoso. Ocorre que seja qual for a postura o time de Alberto Valentim precisa demais da disposição dos pontas em marcar, além de atacar. Pela direita, Luiz Fernando tinha alguma dificuldade, mas suava para cobrir Marcinho em alguns avanços, tentando travar Ayrton Lucas. Na esquerda, o Botafogo perdeu terreno. Poupado, Leo Valencia deu lugar a Kieza. Atacante de origem, sem entender a função do lado do campo. Voltava até o meio de campo. É preciso mais. Por ali, o Fluminense surfou.

Flu no início: três zagueiros e Sornoza em noite inspirada, com espaço

Gilberto avançava e caía mais ao meio, buscando o espaço atrás dos volantes. Lindoso adiantava demais no ataque e não conseguia tapar o buraco até a defesa. Sornoza, então, aparecia plasticamente por ali. Rápido, agitado, quase mortal. Obrigou Jefferson a fazer duas ou três boas defesas. Parecia tudo talhado ao gol tricolor. Mas aí o futebol pregou daquelas peças. Justamente no setor fraco do Botafogo, a bola foi lançada por Jefferson. Kieza dominou e atraiu Renato Chaves para fora da área. Brenner também deixou o setor e se apresentou no meio. Lindoso infiltrou. A bola parou em Marcinho, livre, do outro lado. Com campo, de lá saiu o cruzamento certeiro para Lindoso se antecipar a Richard e marcar. 1 a 0.

Parecia bem improvável. Volume, pressão, ataque com sete, oito jogadores, empurrando o Botafogo em seu campo. E o Fluminense saiu atrás no clássico. Instintivamente, o time de Valentim recuou e tentou organizar um 4-1-4-1 para trabalhar o contra-ataque. Mas ainda estava espaçado. Kieza não acertava a passada com os companheiros e continuava a deixar Gilson solitário. Por ali, Lindoso tentou dar o bote em Jadson. Ele girou, achou Gilberto por dentro, que tocou em Marcos Junior. No giro, a matada na zaga e o cruzamento para Pedro, de peito, tocar para o gol. 1 a 1. Rapidamente. Parecia mais justo. Ou menos injusto. Com 60% de posse de bola e dez finalizações contra três do rival, o Fluminense era amplamente superior. Dominava as ações, organizado.

Ao fim, Botafogo valorizou a vitória e, fechado, tentou dificultar o rival

Não foi por acaso que o segundo tempo trouxe um Botafogo mais comedido. Valentim trocou Renatinho, nulo na criação, por Gustavo Bochecha e instituiu um 4-1-4-1 mais seguro na defesa, alternando ao 4-3-3 no ataque. Bochecha claramente à frente da zaga, com Lindoso e Matheus Fernandes, agora mais à direita, à frente. Sornoza tinha mais espaço para trabalhar na área central, puxando da esquerda. Mas um problema continuava: Kieza não conseguia acompanhar o vaivém no lado esquerdo. Gilberto ainda subia. O Fluminense empurrava, pressionava. Tinha menos espaço por dentro e trabalhava pelos lados. E o futebol continuava a caçoar. Na batida de escanteio de Marcinho, a cabeçada de Kieza. 2 a 1.

Ao fim, Flu muito adiantado, velocidade aos lados e ainda com Sornoza

Abel cansou. Passou a lançar atacantes para tentar ganhar o jogo. Primeiro trocou Richard por Robinho. Depois, sacou Renato Chaves, desfazendo os três zagueiros, colocando Pablo Dyego, deslocado à esquerda. Pareceu inclinar a um 4-1-3-2, apenas com Jadson à frente da zaga e Marcos Junior ao lado de Pedro no ataque, tentando trabalhar Sornoza por dentro. Na prática, os laterais também avançavam. Em bloco, um Fluminense que já conseguia aproximar, tabelar por dentro e finalizar na frente de Jefferson, em noite brilhante, como nos velhos tempos. Apostar no veterano goleiro apenas seria demais. Valentim buscou dar mais fôlego.

Brenner, cansado, permitiu a estreia de Rodrigo Aguirre. O 4-1-4-1 estava mantido. Mas Kieza, cansado, teve de passar à frente para que o uruguaio, inteiro, conseguisse auxiliar Gilson para frear Gilberto e Robinho. Ainda assim o time teve dificuldades. O Fluminense continuou a esticar a bola ao ataque, tentando passar em frente à área. E só não empatou graças a uma defesa fantástica de Jefferson em um chute de Sornoza no fim do clássico. 55% de posse de bola, 20 finalizações contra oito, de acordo com o Footstats. Superior, o Fluminense deixou o clássico insatisfeito com a derrota, mas ciente de que há um jogo muito bem assimilado. Um time que tem em Sornoza um 10 moderno. Acelera, cadencia, passa e desarma. De três a dois zagueiros. A curva é ascedente. Até o Botafogo viu isso de perto. Mas soube primar pela eficiência e se valer do jogo aéreo. Há dias que basta. Principalmente quando o futebol prega peças.

FICHA TÉCNICA
BOTAFOGO 2X1 FLUMINENSE

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão
Data: 14 de maio de 2018
Horário: 20h
Árbitro: Raphael Claus (SP – Fifa)
Público e renda: 8.931 pagantes / 10.382 presentes / R$ 250.140,00
Cartões Amarelos: Renatinho e Carli (BOT) e Luan Peres e Richard (FLU)
Gols: Rodrigo Lindoso (BOT), 26 minutos e Pedro (FLU), aos 32 minutos do primeiro tempo e Kieza (BOT), aos 18 minutos do segundo tempo

BOTAFOGO: Jefferson; Marcinho, Carli, Igor Rabello e Gilson; Rodrigo Lindoso (Jean, 39’/2T) e Matheus Fernandes; Luiz Fernando, Renatinho (Gustavo Bochecha / Intervalo) e Kieza; Brenner (Aguirre, 32’/2T)
Técnico: Alberto Valentim

FLUMINENSE: Júlio César; Renato Chaves (Pablo Dyego, 30’/2T), Gum e Luan Peres; Gilberto, Jadson, Richard (Robinho, 26’/2T) e Ayrton Lucas (Marlon, 40’/1T); Marcos Junior e Pedro
Técnico: Abel Braga