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Flu paga o preço de sua juventude e acaba eliminado: uma dolorida casca

Lucas Barrios Fluminense Grêmio Maracanã

Lucas Barrios Fluminense Grêmio Maracanã

O Fluminense chamou a atenção no Brasil no início de temporada pelo fôlego de um time renovado com garotos de Xerém e forte ímpeto ofensivo. Mas uma equipe tão recheada de jovens muito provavelmente pecaria pela pouca experiência em algum momento da temporada. Ainda que Abel Braga seja o treinador mais velho da Série A, há momentos dentro de campo que dependem exclusivamente de decisões dos atletas. O sentir a temperatura do jogo. Qual atalho tomar. Quando atacar e quando se fechar. Qual carrinho não dar. No Maracanã, o Tricolor pecou cedo. E não pôde jogar a partida que gostaria. Acabou eliminado com uma derrota de 2 a 0 diante de um envolvente Grêmio. Há aprendizados a se levar.

Flu no início: menos um e muito espaçado

Óbvio que o Fluminense precisaria muito do estilo ofensivo como nunca nesta temporada. A derrota de 3 a 1 em Porto Alegre o obrigava a atacar o Grêmio. Mas seriam 180 minutos disputados em meio a uma estratégia. A ânsia dos jovens em resolver tudo de maneira tão rápida queimou etapas e pôs o plano por água abaixo. Quatro minutos de jogo, falta cobrada por Scarpa. O time inteiro no ataque. No contragolpe do Grêmio, Luan recebeu a bola, avançou livre e recebeu um carrinho desnecessário de Nogueira.

Uma expulsão direta e correta. É o típico caso no qual o torcedor respiraria aliviado caso a punição fosse apenas um amarelo. Não houve exagero. Houve inexperiência de Nogueira ao se arriscar ainda tão distante do gol, com tão pouco tempo de jogo. Eram apenas quatro minutos e o confronto estava praticamente decidido no Maracanã.

Com um a menos, Abel tentou inicialmente remontar o time recuando Orejuela para a defesa. Não funcionou. Os espaços aumentaram no 4-3-3 que esfarelara. O Grêmio, com três jogadores requintados no meio, aproveitou. Michel e Arthur iniciavam o jogo trocando passes à vontade. Tentavam lançamentos, viradas de jogo, enfiadas de bola. Luan se postou por trás de Barrios com o auxílio de Pedro Rocha.

Grêmio no início: muito vertical

O camisa 7 flutuava com leveza diante de tanto espaço no 4-2-3-1 da equipe de Renato. Era fácil demais. O Grêmio abusava de tabelas e passes verticais. Em um deles, Arthur achou Barrios, que ajeitou para Luan. O atacante virou o corpo para o gol e acertou um belíssimo chute no ângulo de Cavalieri. 1 a 0. Abel entendeu que necessitava recompor a defesa. Sacou Scarpa, ainda em busca do ritmo ideal de jogo depois de meses parado por lesão e substituição certa ao fim, e pôs Reginaldo. A criatividade, já em xeque sem Sornoza, se dissipou. Os problemas continuaram. Muito em função do time de Renato Gaúcho.

O Grêmio é, antes de mais nada, uma equipe técnico. Ainda carrega o apelido de Imortal, o rótulo da raça gaúcha. Mas prioriza o jogo em vez de marcação. É uma equipe muito bem estruturada por Renato. Barrios saiu na cara do gol, driblou Cavalieri e tocou para fora. Em seguida, Léo Moura fez lindo lançamento para Pedro Rocha. Na cara de Cavalieri, ele driblou e tocou para o fundo da rede. 2 a 0. A partida estava moralmente encerrada no Maracanã. Seria apenas praxe.

Flu ao fim do jogo: mais organizado

No segundo tempo, o Fluminense buscou seu último gás. Talvez uma tentativa de honrar a torcida na arquibancada, com canto incansável e que promovia bonita festa mesmo em condições tão adversas. Marcou à frente e foi um pouco mais organizado. Luiz Eduardo substituiu Douglas e reforçou a marcação do meio ao lado de Orejuela. Wendel mais à frente, centralizado para tentar municiar os atacantes. Os espaços diminuíram. O Grêmio continuou a ter as melhores chances. Era mais time, mais balanceado. Invariavelmente aparecia com quatro jogadores na frente, já que Ramiro estava sempre infiltrado entre o trio ofensivo, deixando o meio exclusivamente a cargo de Michel e Arthur, que continuavam a trocar passes e buscar o jogo vertical.

Grêmio ao fim: volantes à vontade

Com os jovens menos afoitos, o preço que chegou ao Fluminense foi do acúmulo de fadiga na temporada. O jogador a menor durante praticamente todo o jogo aumentava o desgaste. O time cumpria o 32º jogo na temporada. Para efeito de comparação, o Vasco, algoz do último domingo, tem até o momento 22 partidas em 2017. Faltaram pernas. Léo, lateral geralmente ofensivo, estava mais preso e acabou muito vaiado pelos torcedores. Mas o Fluminense, mesmo já consciente da eliminação, era honrado. Fazia um jogo possível depois do baque do primeiro tempo. A derrota serve de experiência para a sequência das carreiras de jogadores ainda tão jovens.

Ainda que a expulsão seja contestada por torcedores, certamente Nogueira evitará uma tesoura em contra-ataque em um próximo confronto. Ainda que exista a necessidade de atacar com frequência, certamente o time tricolor saberá dosar energias para jogar o xadrez de um confronto de duas partidas. Jogar o jogo para o qual certamente estava preparado. Não conseguiu. Afoito, viu o sonho da classificação diante de seus torcedores escorrer pelos dedos. E entendeu que o desgaste pode ser físico e emocional. Diante de tantas lesões, o elenco acaba reduzido. Restam o Brasileiro e a Sul-Americana pela frente. Diante da bela festa da torcida tricolor, o Fluminense deixou o Maracanã eliminado da Copa do Brasil. Mas a molecada de Xerém certamente aprendeu. E ganhou casca.

FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 0X2 GRÊMIO

Local: Maracanã
Data: 31 de maio de 2017
Horário: 19h30
Árbitro: Thiago Duarte Peixoto (SP)
Público e renda: 19.445 pagantes / 21.172 presentes / R$ 597.360,00
Cartões Amarelos: Kannemann, Rafael Thyere, Gastón Fernández (GRE) e Henrique Dourado, Richarlison e Henrique (FLU)
Cartão vermelho: Nogueira (FLU), aos quatro minutos do primeiro tempo
Gols: Luan (GRE), aos 17 minutos, Pedro Rocha (GRE), aos 28 minutos do primeiro tempo

FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Lucas, Nogueira, Henrique e Léo; Orejuela, Douglas (Luiz Fernando / Intervalo) e Wendel (Renato, 24’/2T); Gustavo Scarpa (Reginaldo, 24’/1T), Henrique Dourado e Richarlison
Técnico: Abel Braga

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Léo Moura, Geromel (Rafael Thyere, Intervalo), Kanemann (Bressan, Intervalo) e Cortês; Michel, Arthur e Ramiro; Pedro Rocha, Barrios e Luan (Gaston Fernández, 32’/2T)
Técnico: Renato Gaúcho

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