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A legitimidade de 1987

Flamengo campeão 1987 O Globo

Flamengo campeão 1987 O Globo

Chega a ser curiosa, até infantil a disputa nos tribunais para, teoricamente, reconhecer o “verdadeiro” campeão brasileiro de 1987. Sim, entre aspas. Afinal, não há o que contestar. A legitimidade da conquista estaria, sempre, abraçada ao vencedor da final entre Flamengo e Internacional naquele 13 de dezembro em um Maracanã abarrotado com 91 mil espectadores. Títulos são conquistados em campo, não no tapetão. É a única forma de alcançar a legitimidade no futebol.

É essa legitimidade que permite ao torcedor, orgulhoso, entrar de peito estufado em discussões e contabilizar suas taças. Emana até certa arrogância diante de fatos tão claros. Pois há, no universo da bola, uma ordem das coisas. Uma hierarquia acima de qualquer canetada de juiz. A elite do futebol brasileiro sempre foi composta pelos grandes clubes. Uma escolha de um tribunal jamais conseguiria mudar isso da noite para o dia. A convenção dos homens está acima de qualquer decisão de gabinete.

É uma elite legítima, alcançada por glórias em campo ao longo dos anos e pela capacidade de alavancar massas estádios afora. Não arrancada com um fórceps judicial. Todos sabem no futebol brasileiro qual é a Primeira Divisão nacional. Assim sabiam em 1987. Como sabem atualmente, trinta anos depois, em 2017. Diante de uma CBF esfacelada, os clubes de elite, legítimos donos do futebol brasileiro, tomaram para si as rédeas de seus destinos, instituíram o Clube dos Treze e mandaram o poder às favas com a Copa União.

Flamengo, Internacional e todos os outros grandes clubes concordaram em manter a palavra até o fim. A legitimidade, sabiam, não dependia da CBF, arrependida por recuar seus tentáculos. Depende do povo, da arquibancada, das ruas. Todos eles sabem que o tetracampeonato brasileiro rubro-negro aconteceu em 1987.

Rivais alfinetam e provocam os torcedores do Flamengo simplesmente pela boa e velha galhofa. Fariam o mesmo com Internacional, Atlético-MG ou São Paulo. Em seu íntimo, no entanto, sabem que o verdadeiro campeão foi o time comandado por Zico, Bebeto, Renato Gaúcho e companhia. A legitimidade acompanha a conquista rubro-negra, não o modo amarelo de Sport e Guarani. Por isso é desnecessário ver inúmeras administrações do Flamengo submeterem o clube a tolas brigas judiciais em busca de uma legitimidade que já é incorporada por sua torcida e até mesmo por rivais.

Parte da imprensa alimenta a disputa fictícia para seduzir cliques e audiência de uma Nação. Os números, nestes momentos, contam no bolso. Pois em 1987 jornais, revistas e tvs declaravam abertamente o tetracampeonato do Flamengo. Ao Sport resta lançar camisas, gritar, investir no marketing e berrar até perder a voz em busca de algo que não conseguiu alcançar em 30 anos. Sim, o Supremo Tribunal Federal decidiu, mesmo com o país em meio ao caos, julgar uma questão que transcende qualquer tapetão. Qualquer voto de suas excelências. Inútil. A Primeira Divisão de 1987 teve apenas um campeão. O legítimo.

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  • Davi Alcantara

    Não é galhofa. Essa questão está longe de ser considerada simples provocação dos rivais como o autor definiu. A maioria não considera o Flamengo campeão. E não é de agora. Quando o São Paulo foi campeão Brasileiro em 1991 a Imprensa bradava que ele era o MAIOR campeão do Brasil, junto com Inter e Flamengo com TRÊS títulos. Pode conferir em reportagens da Globo Carioca, Bandeirantes paulista…Longe de puxar um revisionismo histórico, se o título não for dividido, o Sport é o LEGÍTIMO campeão de 87.