Everton Ribeiro Flamengo 2018 Libertadores
Histeria histórica faz um dócil Flamengo sucumbir ao Cruzeiro na Libertadores
09 agosto 03:30
Henrique Dourado Flamengo gol Maracanã 2018
Correto, Flamengo estanca a sangria ao superar Cruzeiro para seguir na briga
13 agosto 01:16

Meio cheio, meio vazio: Vasco cai na Sul-Americana com olhos para o futuro

Pikachu Vasco 2018

(Flickr / Vasco)

Pikachu Vasco eliminação Sul-Americana 2018

(Flickr / Vasco)

Seria, claro, até um desrespeito com o torcedor vascaíno dizer que o Vasco fez o que dele se esperava em São Januário. Há uma eliminação, mais uma, em casa a levar em 2018, como já acontecera na Copa do Brasil e na Libertadores. Copo meio vazio. Mas seria, também, um desrespeito com os jogadores vascaínos afirmar que o time decepcionou. Foi, sim, uma boa partida diante da LDU pela Copa Sul-Americana. Mas insuficiente. Um magro 1 a 0 alcançado após incríveis 36 finalizações na meta equatoriana. Copo meio cheio.

No início, Vasco forçando o jogo pela esquerda, com Ramon e Galhardo

Meio cheio por que há o que olhar para o futuro. Após um início de ano calamitoso devido ao turbulento caldeirão político, a eleição presidencial no mínimo controversa, o coerente vascaíno há de ter a sensibilidade de entender que, no fundo, a meta é avançar com a caravela em águas tranquilas até o fim do Campeonato Brasileiro. A eliminação da Copa Sul-Americana impede futuras bilheterias recheadas e cotas de transmissão. Mas permite ao Vasco se concentrar em um só objetivo, justamente o Brasileiro. O Vasco caiu com luta. Elétrico, intenso, empurrado pela arquibancada conseguiu acuar a LDU em seus domínios. Talvez com um finalizador de melhor qualidade poderia ter alcançado sua meta.

Jorginho mandou o time a campo em um 4-2-3-1, com Pikachu e Thiago Galhardo pelos lados, Giovanni Augusto centralizado, Andrey e Desábato atrás no início da construção das jogadas. À direita, Luiz Gustavo uma vez mais fazendo a vez de lateral. Ficou claro: o Vasco aplicaria velocidade, torques rápidos e verticais, rumo à área adversária, buscando sempre o lado esquerdo, com Ramon e Galhardo. O meia quebrava para dentro, dando toda a ultrapassagem para o lateral. Ainda que a ideia da LDU fosse mais defensiva, havia espaço. O 4-4-2 equatoriano era espaçado, principalmente pelos lados, quando Anderson Julio, à direita, e Fernando Guerrero, à direita, subiam ao ataque.

LDU no início: fechada, mas nem tanto, buscando contragolpes

Surpreendentemente a LDU aceitava um jogo mais franco. Talvez na ânsia de marcar um gol e tornar o revés absolutamente improvável em solo carioca. Fato é que se arriscou. E o Vasco, claro, se lançou. Subiu em bloco. E finalizava. Andrés Ríos, Galhardo, Luiz Gustavo. Cruzamento da esquerda, da direita, chutes de fora da área. Um time ansioso, tentando resolver a todo custo ao menos metade dos dois gols necessários. Tentava, com a bola na rede, se acalmar. Não conseguiu. Nervosos, Breno e Luiz Gustavo receberam cartões amarelos sem necessidade com faltas ainda no ataque. Pikachu, também ansioso, foi advertido por reclamação. O jogo fluía, a LDU dava passos atrás e tinha desafogo apenas nas saídas rápidas de Anderson Julio com o auxílio do esforçado e limitado atacante Anangonó. Havia, também, a velha fagilidade defensiva. Em cobrança de lateral, Anderson Julio apareceu na área para carimbar a trave de Martín Silva.

Henríquez, lesionado, deixou o campo. Jorginho, receoso em colocar Ricardo sob o caldeirão da torcida após os vacilos no jogo de ida, preferiu mandar Luiz Gustavo à sua posição de ofício e ter a dupla de zaga amarelada. Raul, volante de origem, entrou em campo para ocupar a lateral. Melhorou. Com melhor passe e mais facilidade para subir ao ataque, deixou o time mais equilibrado ao auxiliar Pikachu pelo lado direito. Mas o gol, tentado de maneira insistente em 17 finalizações, não chegou no primeiro tempo.

Ao fim, Vasco mais avançado, em bloco, sedento pelos gols

A volta do intervalo trouxe a Jorginho uma surpresa. Breno, lesionado, teve de deixar o campo e Ricardo acabou acionado. O time, então, continuou a insistir no que dera certo na primeira etapa: jogadas em velocidades, toques rápidos e jogo forçado pela esquerda, com Galhardo e Ramon. Insatisfeito, Pablo Repetto detectou que continua a sofrer logo com cinco minutos e sacou Jhojan Julio, inoperante no ataque e pouco efetivo para ajudar a fechar o meio, por Intriago, de características mais defensivas. Também pouco funcionou. Embora um pouco menos espaçado, o time equatoriano sofria para segurar o volume de jogo do Vasco, totalmente adiantado, alugando o campo adversário e trocando bolas até a intermediária, finalizando de fora da área.

LDU ao fim: ferrolho formado para evitar o gol da desclassificação

Diante de um adversário tão recuado, Jorginho lançou a última cartada. Sacou Desábato, pôs Caio Monteiro e plantou Andrey como volante à frente da zaga, formando um bloco de quatro jogadores atrás de Andrés Ríos. E passou a trocar o posicionamento. Pikachu foi à esquerda, Caio Monteiro e Thiago Galhardo por dentro, Giovanni Augusto forçando pela direita. Mas havia alternâncias. Com os meias mais próximos, a tentativa de passe ou arremate de fora da área seria maior. E, por ali, o desafogo. Passe longo de Ricardo, Pikachu escorou para Andrés Ríos, no centro, tocar de primeira para o arremate seco de Thiago Galhardo, rasteiro, no contrapé de Gabbarini. 1 a 0 que fez o caldeirão explodir. Era possível.

Com o goleiro já amarelado desde o primeiro tempo devido ao excesso de cera, a LDU tinha poucas armas para truncar o golpe final do Vasco. Fez o zagueiro Pellerano entrar em campo e fechou-se um ferrolho 5-4-1 aguardando apenas os minutos finais. O Vasco chegou a 35 finalizações. Andrés Ríos, de virada, quase deixou a vaga no Rio de Janeiro, mas a tentativa de puxeta fez a bola viajar. O time amargou a eliminação. Copo vazio. Mas, além das finalizações, teve, de acordo com o Footstats, 62% de posse de bola, 475 passes trocados. Há as chegadas de Maxi López, Vinicius Araújo e Leandro Castán. Copo meio cheio.

FICHA TÉCNICA
VASCO 1X0 LDU

Local: São Januário
Data: 9 de agosto de 2018
Horário: 19h30
Árbitro: Mário Díaz Vivar (PAR)
Público e renda: 18.517 pagantes / 18.943 presentes / R$ 452.675,00
Cartões Amarelos: Breno, Luiz Gustavo e Yago Pikachu (VAS) e Gabbarini, Fernando Guerrero, Intriago e Orejuela (LDU)
Gols: Thiago Galhardo (VAS), aos 40 minutos do segundo tempo

VASCO: Martín Silva, Luiz Gustavo, Breno (Ricardo / Intervalo), Henríquez (Raul, 30’/2T) e Ramon; Desábato (Caio Monteiro, 24’/2T) e Andrey; Yago Pikachu, Giovanni Augusto e Thiago Galhardo; Andrés Ríos
Técnico: Jorginho

LDU: Gabbarini; Quintero, Guerra, Salaberry e Chalá; Orejuela, Vega e Anderson Julio; Jhojan Julio (Intriago, 5’/2T) e Fernando Guerrero (Gastón Rodríguez, 34’/2T); Anangonó (Pellerano, 46’/2T)
Técnico: Pablo Repetto