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A minimização das taças

Fluminense Taça Guanabara 2017

Fluminense Taça Guanabara 2017Os campeonatos estaduais entram na reta final e surge mais uma vez em redes sociais, na arquibancada e no campo um sentimento cada vez mais comum: a minimização da conquista. Levantar uma Taça Guanabara no Rio não vale mais nada. O Carioca, tampouco. Vencer o Paulista ou o Mineiro não mexe com o humor de muita gente. Estamos, aos poucos, perdendo a referência do que vale no futebol.

Ninguém em sã consciência considera nos dias atuais a conquista do Estadual ou de uma das tradicionais taças de turno no Rio, por exemplo, um evento de magnitude épica. São, sim, campeonatos esvaziados com desmandos de cartolas, fórmulas fundamentadas na política para a manutenção de poder e poucos jogos atrativos. Deveriam ser reformulados. Tudo verdade. Mas levantar uma taça, dar uma volta olímpica, vale. É parte da formação do torcedor e do próprio clube.

Pegue uma criança com seus seis anos. Leve-a ao estádio em dia de final, mesmo que de turno. Torça para seu time sair campeão. Diante do rival, troféu levantado, volta olímpica. Compra de faixa ao sair da arquibancada. Sentimento leve. A gozação com os amigos no dia seguinte. O gosto da vitória. Com qual autoridade podemos dizer que aquilo não tem sentido e nada vale? É parte da essência do futebol. Da formação de u novo torcedor. Perder e, também, ganhar. Minimizar tudo isso é uma contradição. Um sentimento que se estende, às vezes, ao campo.

Só a farta remuneração aos jogadores de clubes da elite já justificaria a busca incessante por conquistas. Mas vale mais do que isso. Uma goleada em um clássico pode se tornar histórica. A conquista de um troféu, também. A carreira do atleta encorpa e ganha mais um capítulo. Anos mais tarde, com a aposentadoria já uma realidade, ele poderá ser lembrado por aquele trofeu. Afagado por uma torcida. Não é pouco.

Talvez sejam os estaduais e sua democratização de títulos os responsáveis por termos no futebol brasileiro tantos grandes clubes. Acostumaram-se a vencer ao longo dos anos. Mesmo o clube que dificilmente terá chance de abocanhar uma Libertadores pode ter a sua oportunidade de vencer uma final, dar a volta olímpica, levantar o trofeu diante de sua massa. É a celebração do futebol. Minimizar episódios assim torna a relação com o esporte menor.

O importante ao conquistar a Copa do Brasil, dizem, não é a taça. Mas, sim, a vaga para a Libertadores. Ledo engano. Pois vale levantar trofeu em turno, Estadual, Copa do Brasil, Libertadores e Brasileiro. Cada um com seu grau de importância. Deliciar-se com um não elimina o desejo de querer outro ainda maior. E repeti-lo no ano seguinte. Não se deve minimizar conquistas. Levantar taça é uma arte.

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