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Cruzados da Copa, dia 38: França e Inglaterra dão aula sobre a disputa do terceiro lugar

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Dia 38. Nem lembro se foi algo que surgiu agora, nessa insana Copa norte-americana, ou já vinha desde o Qatar. É possível. A Fifa foi lá e tascou um título na testa da velha disputa pelo terceiro lugar: Bronze Final. Tem uma pegada um tanto quanto cafona, remete aos Jogos Olímpicos e tenta valorizar esse jogo mais do que deveria. Mas vale alguma coisa, geralmente para seleções com menos história nas Copas. Para graúdas, nem tanto. Por isso França e Inglaterra ensinaram como tratar a disputa do terceiro lugar na Copa. É um confronto, no fundo, para se divertir.

Sem tanta responsabilidade é possível ver os jogadores menos tensos do que o normal. Há uma leveza, uma ausência da pressão que pesa diante de jogadores de elite. A Supercopa do Brasil, por vezes, em trechos de jogos, tem esse caráter. Um jogo mais festivo do que qualquer outra coisa. Vá lá que baixar demais a guarda como fez a França no primeiro tempo, com quatro gols sofridos, é arriscado demais. Pode parar no vexame. Mas na segunda etapa o time de Didier Deschamps reagiu. A postura dos jogadores deixou bem clara a característica festiva do jogo. Passes de primeira, dribles quase sem compromisso, tentativa de enfeitar as jogadas.

Mbappé desde o início indicou que trataria de maneira competitiva. Parece não saber atuar em um jogo profissional de outra maneira. Lutou, deixou dois gols e chegou a incríveis 22 como maior goleados dos Mundias. Tem apenas 27 anos. Só nesta Copa foram dez gols em sete jogos. É assustador acompanhar o camisa 10 francês. A trivialidade com que constroi recordes, feitos é um capítulo à parte. Vê-lo em ação numa Copa do Mundo já se tornou especial. Foi quem mais resistiu à Inglaterra.

O terceiro lugar deu ao English Team um tanto de dignidade, a melhor campanha desde o título em casa em 1966. É um feito para a Inglaterra, ainda que o desdém inglês impeça de tratar a vitória como algo relevante. Saka, três gols na mala, mostrou que poderia sido útil caso fosse utilizado por Thomas Tuchel contra a Argentina. Kane, veja só, nem saiu do banco para tentar aumentar o seu cartel de gols em Copas. A leveza se traduziu de forma completa no último gol da partida. Bellingham carrega a bola, dribla, ginga, leva mais um pouco, mais um tanto e finalmente finaliza. Um gol digno de pelada, mas que simbolizou a tranquilidade dos jogadores para estar em campo.

Claro que a disputa do terceiro lugar é mais valiosa para Marrocos, por exemplo, ou para a Bélgica, que derrotou os próprios ingleses em 2018. Pouco importa se foi pelada de churrasco, houve placar bailarino talvez e alguns jogadores preferissem já estar em casa. Dane-se mesmo. Foi legal, divertido, um entretenimento com aperitivo para a grande decisão. No fim, França e Inglaterra ensinaram como se deve levar a disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo.

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