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12 anos depois, papeis invertidos no reencontro de Fla e São Paulo na Ilha

Flamengo São Paulo 2005 O Globo

Quase 12 anos depois, Flamengo e São Paulo se reencontram na mesma Ilha do Governador sob perspectivas completamente diferentes. Uma inversão dos papeis de cada um há mais de uma década. Em 2017, quem representa modelo de gestão, vê a dívida em queda, conta com elenco pesado e briga por títulos é o clube carioca. Quem tem um ambiente conturbado por crises, perde jogadores, vê o rombo financeiro galopar e se preocupa com a zona de rebaixamento é o clube paulista. O mundo girou desde a impiedosa goleada de 6 a 1 do São Paulo sobre o abalado Flamengo na chamada Arena Petrobras, na Ilha do Governador. Era o reflexo do extracampo nas quatro linhas.

16 de outubro de 2005. Campeão da Libertadores meses antes e em preparação para o Mundial, onde derrotaria o Liverpool, o São Paulo iniciava outra época dourada em sua História, com o tricampeonato brasileiro consecutivo nos anos seguintes. Técnico de hoje, Rogério Ceni era o goleiro e capitão daquela equipe. Como em 2017, Lugano estava na zaga são-paulina em 2005. Foi um baile diante de um Flamengo fragilizado, com política de contenção de gastos e que lutava para se afastar da zona de rebaixamento. Não deu nem para a saída. Com três minutos, o São Paulo fez 1 a 0, com o zagueiro Edcarlos. Até sofreu o empate, com Josafá. Mas desandou a fazer gols e fechou o placar em 6 a 1. Causou marcas profundas na Gávea.

Provável Flamengo neste domingo

No jogo seguinte, assim como será em 2017, o confronto era contra o rival Vasco, em São Januário. Derrotado, o Flamengo se submeteu a drásticas mudanças internas para escapar do rebaixamento. O ex-presidente Kleber Leite assumiu o futebol e contratou Joel Santana para substituir Andrade no comando técnico, promovendo um verdadeiro milagre com uma sequência de oito vitórias e um empate. Muito pouco para um gigante que via a dívida aumentar, tinha vendido a maior promessa, Ibson, para o Porto, de Portugal, e perdia muito espaço na elite do futebol nacional. Panorama semelhante ao do São Paulo de 2017.

De acordo com o ranking de dívidas do banco Itaú, publicado no blog do jornalista Mauro Cezar Pereira, o Tricolor Paulista, modelo de gestão há 12 anos, patina no campo das finanças. Só nos últimos quatro anos, o rombo cresceu em R$ 129 milhões – de R$ 208 milhões para 337 milhões. O impacto no campo é sentido com amargor. Jogadores do elenco do técnico Rogério Ceni são negociados a toque de caixa. O mais recente, o volante Thiago Mendes, rumo ao Lille, da França. O São Paulo de 2017 está como o Flamengo de 2005: apenas uma posição e um ponto acima da zona de rebaixamento. Retrato de um clube que parou do tempo. O oposto do rival, que ao menos na gestão soube se reinventar.

Provável São Paulo na Ilha do Urubu

Claro, o Flamengo ainda carece de expressivos resultados no campo como o São Paulo de 2005, campeão da Libertadores e do Mundial. Neste ano, o clube rubro-negro já deu vexame ao cair na primeira fase do torneio sul-americano. Mas o elenco é parrudo. Para padrões brasileiros, nada de braçada ao lado do outro primo rico, o Palmeiras. Sim, primo rico. Panorama distinto de 2005. A dívida rubro-negra ainda é alta, de R$ 440 milhões. Mas caiu praticamente R$ 300 milhões e segue em decadência. A receita graúda, quase na casa do meio bilhão, permite a luxos como Guerrero, Diego e Everton Ribeiro.

Todos serão titulares do técnico Zé Ricardo. Em quinto lugar na tabela, com 17 pontos, o time rubro-negro ensaia reação no Brasileiro para alcançar o líder Corinthians. Com 11 pontos, em 16º lugar, o São Paulo tenta somar pontos para conter a crise. O mundo da bola girou.

Em 2005

FICHA TÉCNICA:
FLAMENGO 1X6 SÃO PAULO

Local: Estádio Luso-Brasileiro, a Arena Petrobras
Data: 16 de outubro de 2005
Árbitro: Alício Pena Junior (MG)
Público e renda: 12.684 pagantes / R$ 140.916,00
Cartões amarelos: Júnior Baiano e Marcelo (FLA) e Lugano e Edcarlos
Cartões vermelhos: Renato Abreu (FLA) e Júnior (SAO)
Gols: Edcarlos (SAO), aos três minutos, Josafá (FLA), aos dez minutos, Edcarlos (SAO), aos 25 minutos e Amoroso (SAO), aos 45 minutos do primeiro tempo; Thiago Ribeiro (SAO), aos 42 minutos, Mineiro (SAO), aos 45 minutos e Souza (SAO), aos 47 minutos do segundo tempo

FLAMENGO: Diego; Léo Moura, Renato Silva, Júnior Baiano e André Santos; Robson, Jônatas, Diego Souza e Renato Abreu; Josafá (Fábio Júnior) e Cesar Ramirez (Obina)
Técnico: Andrade

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Cicinho, Lugano, Edcarlos e Júnior; Mineiro, Josué, Leandro Bomfim (Renan) e Richarlyson; Christian (Thiago Ribeiro) e Amoroso (Souza)
Técnico: Paulo Autuori