Na fé da arquibancada, a mudança do universo rubro-negro
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29 Maio 01:54

Copo cheio ou vazio? Fla arranca empate, mas mostra futebol pobre diante do Furacão

O Flamengo deixa Curitiba com duas opções de como encarar o empate em 1 a 1 com o Atlético-PR. A primeira é valorizar o copo cheio, com um ponto somado na tabela diante de um adversário que geralmente lhe impõe dificuldades. A segunda é o copo vazio, mais realista, ao saber assimilar que a apresentação foi de um futebol pobre, sem tantas alternativas, bem abaixo, por exemplo do confronto entre as equipes na mesma Arena da Baixada, há um mês, pela Libertadores. Sim, é irônico. Desempenho superior, derrota na competição sul-americana. Desempenho inferior, empate no Brasileiro.

O Atlético-PR na primeira etapa

É óbvio que se faz necessário contabilizar os desfalques de Zé Ricardo para montar a equipe diante do Furacão. Diego e Everton, no entanto, também não jogaram a partida da Libertadores. Desta vez, o técnico optou por um 4-4-2, com Mancuello na função de meia que se aproxima da frente e ajuda a fechar o centro do campo quando atacado. Arão e Matheus Sávio pelas pontas, Márcio Araújo e Cuellar mais ao centro. Não funcionou. De início, o time parecia confuso, limitado a trocar passes para o lado. Mancuello não entendia bem o posicionamento, Arão avançava de forma desordenada e o Flamengo chegava pouco ao ataque. Longe daquele futebol imperativo, de posse e domínio.

Do outro lado, Eduardo Baptista estreou no Atlético-PR em um 4-1-4-1, com o jogo fluindo diante do campo cedido pelo rival. Lucho González, organizador, também se aproximava de Grafite no ataque ao tentar infiltrar na área, principalmente no vazio entre Vaz e Renê. A diferença estava nos volantes. Enquanto a saída de jogo do time carioca se dava com Márcio Araújo, o Furacão apresentava maior qualidade com Otávio, que recebia na intermediária, se livrava de Mancuello e avançava algumas casas procurando Rossetto ou Pablo. Vertical em vez de horizontal. Mas o primeiro tempo passou pela eficiência.

O Flamengo do início: Mancu vai ou vem?

O Flamengo teve uma bola para marcar. E fez. Márcio Araújo esticou Pará na direita, que da intermediária achou Mancuello infiltrando no buraco entre Paulo André e Thiago Heleno. O bom toque de cabeça furou a rede, não pela força, e colocou os cariocas à frente. 1 a 0. A resposta foi imediata. O Atlético adiantou ainda mais o time e tentou pressionar o Flamengo. No jogo aéreo, Nikão tocou na trave de Muralha. Assustado, Márcio Araújo perdeu para Pablo, que serviu Grafite. Muralha salvou no cara a cara. Em seguida, Grafite, de novo, chutou com perigo de fora. Antes do apagar das luzes, Grafite, sempre ele, girou sobre Vaz, deu corte seco em Réver e carimbou a trave. O Atlético-PR só não desceu para o intervalo com a vantagem pela falta de eficiência. Era o inverso do jogo da Libertadores. Mas desta vez o Flamengo era mais competente.

Atlético-PR no segundo tempo

Na volta ao segundo tempo, Eduardo Baptista sacou Nikão, pouco eficiente no espaço que tinha pela direita e colocou Douglas Coutinho, menos habilidoso, mas muito mais veloz. Tentava explorar as brechas dadas por Renê, opção mais defensiva do que Trauco. O time da casa, então, cedeu campo ao Flamengo para buscar esse contra-ataque. A equipe de Zé Ricardo gostou do que viu. Tinha campo para tentar girar a bola ao seu gosto, procurando espaços. Mancuello entrava mais na área, caía pelo lado direito. O time parecia melhorar um pouco, buscar alternativas para criar. Guerrero quase marcou de cabeça, não fosse a defesa espetacular de Weverton. Aí o Flamengo foi vítima de uma clara deficiência. Escanteio na área, Thiago Heleno superou Vaz de cabeça e contou com um vacilo de Muralha, apesar da forte finalização. 1 a 1. O 22o gol sofrido pelo time na temporada. O 11o de cabeça.

Fla ao fim da segunda etapa: 4-2-3-1

Eduardo Baptista sentiu o bom momento e jogou o Atlético-PR mais à frente, em um 4-4-2, com Guilherme fazendo companhia a Grafite. Otávio se adiantou e formou o bloco de quatro atrás dos atacantes. E começou a pressionar, tentando alçar bolas na área ou esticadas para Douglas Coutinho na direita. Zé reagiu com Vinicius Junior na vaga de um apagado Matheus Sávio, bem marcado. Aí, a ressalva. A promessa vendida ao Real Madrid melhorou o jogo rubro-negro. Tem drible, tentou criar jogadas. Mas é novo demais. Ainda sente movimentos distintos entre os profissionais. É pouco para o Flamengo depender de um garoto de 16 anos ao buscar maiores ambições em uma partida pesada no Brasileiro.

Lucas Paquetá já estava em campo na vaga de Mancuello, mas muito encostado para a esquerda. Zé percebeu e, a cinco minutos do fim, sacou Cuellar, com bons posicionamento e distribuição de bolas na partida, para a entrada de Rodinei na direita. O time voltou ao tradicional 4-2-3-1, com Paquetá centralizado e Vinicius na esquerda. Em ótima jogada do meia entrando pela área, na esquerda, Guerrero recebeu no meio, errou a matada e furou o chute. Chance incrível que determinou o empate na Arena da Baixada.

O jogo terminou com mais posse dos cariocas (54%) e mais arremates certos do Furacão (8 x 3), de acordo com o site Footstats. Retraído no primeiro tempo, o Flamengo viu seu desempenho, mais uma vez, não ser bom. Foi um futebol pobre diante do que o time poderia desempenhar, principalmente se observados os minutos finais, com uma escalação recheada de jovens e que decidiu enfim agredir o Atlético-PR, que somou seu primeiro ponto na competição. Quase venceu com a chance de Guerrero, mas não convenceu. Para disputar o título, o Flamengo deve melhorar o seu jogo. Ser dominante. Ter ambição. Desejar os três pontos em vez de se contentar com apenas um. Preencher o copo por inteiro.

FICHA TÉCNICA:
ATLÉTICO-PR 1×1 FLAMENGO

Local: Arena da Baixada, em Curitiba
Data: 28 de maio de 2017
Horário: 16h
Árbitro: Braulio da Silva Machado (SC)
Cartão amarelo: Pablo (ATL)
Público e renda: 19.923 pagantes/ 22.350 presentes / R$ 470.175.
Gols: Mancuello, aos 24 minutos do primeiro tempo e Thiago Heleno (ATL), aos dez minutos do segundo tempo

ATLÉTICO-PR: Weverton; Jonathan, Paulo André, Thiago Heleno e Sidcley; Otávio, Matheus Rossetto, Lucho González (Guilherme, 17’/2T); Nikão (Douglas Coutinho / Intervalo), Pablo e Grafite (Ederson, 25’/2T)
Técnico: Paulo Autuori

FLAMENGO: Alex Muralha; Pará, Rever, Rafael Vaz e Renê; Márcio Araújo; Willian Arão, Cuellar (Rodinei, 41’/2T), Mancuello (Lucas Paquetá, 30’/2T) e Matheus Sávio (Vinicius Junior, 23’/2T); Guerrero
Técnico: Zé Ricardo

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