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Em meio ao furacão, Vasco força o Cruzeiro a fazer o seu jogo e, enfim, respira

Wagner Vasco 2018 Mineirão

(Flickr / Vasco)

Andrey Vasco Cruzeiro Mineirão 2018

(Flickr / Vasco)

As tormentas que avançam sobre São Januário com incrível constância na temporada fazem do Vasco um clube talhado para a irregularidade. Capaz de em plena Libertadores arrancar um empate contra o Cruzeiro no Mineirão e ser impiedosamente goleado em casa. Recém-saído de uma derrota na Colina em um clássico contra o Botafogo, o Vasco surpreendeu ao arrancar um empate em 1 a 1 em Belo Horizonte, contra o Cruzeiro. Um respiro alcançado por Valdir, o técnico interino.

Natural que o Vasco priorizasse o sistema defensivo para encarar um Cruzeiro embalado com os resultados recentes. A dúvida seria como Valdir montaria a equipe. A opção chegou com um 4-3-2-1. Uma trinca de volantes à frente da defesa, com Desábato, Andrey e Bruno Cosendey. À frente, Pikachu e Wagner tentava completar o bloco para dificultar ao máximo o jogo mais técnico do Cruzeiro pelo centro. Forçaria, naturalmente, a opção pelo lado. Provavelmente por isso o perdão a Paulão após a polêmica foto no Instagram. O jogo aéreo seria fundamental. Valdir fez boa leitura do jogo à risca. Mano, nem tanto.

Cruzeiro no início: time adiantado, com preferências pelos lados

Talvez o treinador cruzeirense esperasse mesmo um Vasco no 4-2-3-1 de sempre, com Cosendey centralizado. Diante de um rival bem reforçado pelo meio, o seu Cruzeiro também acabou saindo desde o início do 4-2-3-1. Thiago Neves avançou ao lado de Raniel, dentro da área, tentando movimentar. Sobis saía da esquerda para tentar entrar pelo meio. Robinho caiu mais por dentro para tentar encorpar mais próximo dos volantes celestes e fazer frente à trinca de volantes do Vasco. O jogo cruzeirense fluía apenas pelos lados. Ficou bem claro que o jogo seria por ali. Dedé, em escanteio, e Thiago Neves, após cruzamento da esquerda, perderam chances incríveis de abrir o placar de forma precoce e, talvez, mudar a estratégia do Vasco.

Vasco no início: três volantes, meio fechado, forçando o jogo pelo lado

Concentrado, o time carioca não se desorganizou. Manteve a ideia de bloquear o centro e tentar sair rapidamente com Pikachu, acionando Ríos. Sem a bola, o time avançava alguns passos, tentando pressionar a saída de bola cruzeirense. Era uma noite ruim de Henrique e, principalmente, Lucas Silva. Pecavam na saída de jogo e participavam da partida menos do que o usual: tudo estava concentrado pelos lados. E, claro, nos laterais. Egídio e Edilson progrediam em cima de Luiz Gustavo e Henrique. Com a insistência, um pênalti claro de Desábato em Edilson, com um carrinho na linha de fundo, foi ignorado por Luiz Flávio de Oliveira. Mas a posse de bola cruzeirense batia na casa dos 70%, o que permitia pensar que o gol, mesmo apenas com bolas alçadas pelas pontas, sairia na marra. E saiu. Mas do outro lado.

Cruzeiro ao fim: muito adiantado, com Dedé avançando constantemente

Em um avanço de Andrey pelo meio, Egídio viu a bola sobrar a seus pés. Mas a usual autossuficiência do cruzeirense falou mais alto: ao tentar dar um tapa na bola com a parte externa do pé, furou. Andrey recuperou a bola e, com a zaga desarmada, avançou até a entrada da área acompanhado por Léo. O chute saiu forte, colocado, no ângulo, repetindo feito do clássico contra o Botafogo. Dentro de sua estratégia, após o furacão da saída de Zé Ricardo, o Vasco estava na frente no Mineirão. 1 a 0. Resultado que pouco mudou o panorama das equipes. O Vasco mantinha a pegada pelo meio, negando espaços para tabelas dos cruzeirenses mais técnicos, como Thiago Neves e Rafael Sobis. A ação ficava limitada aos lados e à área. Raniel, veloz, tentou sair da vigília de Paulão e Ricardo no miolo de zaga. A vantagem desceu ao vestiário com a cruz de malta.

Vasco ao fim: novas peças, mesma postura, valorizando empate

No segundo tempo, uma vez mais o time de Mano Menezes se mostrou incapaz de entender melhor o jogo. Voltou insistindo pelas pontas, da mesma maneira, tentando vencer pelo cansaço do rival. Foram 27 bolas cruzadas apenas na primeira metade do jogo, segundo o Foostats. Viriam outras 28 na etapa final da partida, o que faria o time chegar a incríveis 55 cruzamentos. Mas é daquelas ironias: bastou uma chance mais clara pelo meio, por baixo, para o gol chegar. Dedé, completamente avançado, iniciava o jogo com frequência. Bastou ao Vasco abaixar a guarda pelo centro para falhar. O zagueiro do Cruzeiro achou Sóbis na entrada da área. De primeira, o toque por cima pegou a zaga do Vasco de surpresa e Paulão não conseguiu acompanhar Raniel, que tocou na saída de Fernando Miguel. 1 a 1.

Mano já havia liberado o time ainda mais ao sacar Lucas Silva, deixando apenas Henrique à frente da defesa, e colocar Marcelo, atacante, pelo lado direito. Robinho ficou ainda mais por dentro e o Cruzeiro avançou. Mas, de novo, insistia pelos lados, uma maneira quase obsessiva – mas no fundo pobre – de superar um rival bem postado, mas tecnicamente bem inferior. Com a falta do gol da virada, ele trocou Marcelo da direita para a esquerda, tirou Sobis e Bruno Silva pela direita, infiltrando na área tentando relembrar os tempos de Botafogo. Aumentou a pressão, mas o Vasco, bravamente, resistiu.

Claro que houve dose de sorte em uma ou outra conclusão cruzeirense para fora. Mas ao tornar o jogo do rival mais previsível, Valdir indicou um Vasco fora dos trilhos, sem estar surpreso. Nem mesmo as substituições mudaram a postura vascaína. Apenas Andrey acabou deslocado à lateral depois de um esgotado Luiz Gustavo desabar em campo, assim como Ricardo já fizera antes: reflexos de um elenco que iniciou a temporada em janeiro, num mata-mata de Libertadores. Wellington, Giovanni Augusto e Evander mantiveram a pegada do meio, mas a qualidade do passe aumentou com os últimos dois. Dedé, avançado e como camisa 9, foi a arma mais perigosa do Cruzeiro nas bolas alçadas à área. Méritos da dupla vascaína: Paulão (16) e Ricardo (14) somaram 30 rebatidas no jogo. Um alento a quem tanto sofreu pelo alto em 2018.

Da cabine do Mineirão, Jorginho deve ter ficado satisfeito. Mas não deve se iludir: pelo furacão fora de campo, a tarefa de encaminhar um Brasileiro sem maiores sustos será tão árdua quanto da última vez que assumiu o time, praticamente desenganado. E, o fundo, é o que deseja o vascaíno. Uma temporada sem maiores sustos para tentar reorganizar a casa para 2019. Ainda que os caciques de São Januário continuem a bater cabeça, com seguidas quedas de braço e deixem o Vasco suscetível a uma incrível irregularidade.

FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO 1X1 VASCO

Local: Mineirão
Data: 6 de junho de 2018
Horário: 21h45
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (SP)
Público e renda: 19.870 pagantes / 23.725 presentes / R$ 411.772,00
Cartões Amarelos: Wagner e Yago Pikachu (VAS)
Gols: Andrey (VAS), aos 21 minutos do primeiro tempo e Raniel (CRU), aos 15 minutos do segundo tempo

CRUZEIRO: Fábio; Edilson, Dedé, Léo e Egídio; Henrique e Lucas Silva (Marcelo, 14’/2T); Robinho, Thiago Neves e Rafael Sobis (Bruno Silva, 30’/2T); Raniel
Técnico: Mano Menezes

VASCO: Fernando Miguel; Luiz Gustavo (Wellington, 28’/2T), Paulão, Ricardo e Henrique; Desábato e Andrey; Yago Pikachu, Bruno Cosendey (Evander, 17’/2T) e Wagner (Giovanni Augusto, 10’/2T); Andrés Ríos
Técnico: Valdir