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Heroi em cada jogo, Botafogo se agiganta e volta às oitavas da Libertadores após 21 anos

Botafogo classificação Libertadores 2017 Pimpão Camilo

Botafogo classificação Libertadores 2017 Pimpão Camilo

Poucas vezes o hino de um clube retratou tão bem uma campanha como a sacramentada pelo Botafogo na fase inicial da Libertadores deste ano. Foste heroi em cada jogo. De fato, foi. Desde os dois mata-matas da fase preliminar até a disputa em um grupo pesado, onde eliminou o atual campeão da competição. A classificação chegou em uma vitória de 1 a 0 sobre o Atlético Nacional. Vaga com uma rodada de antecedência. Um gigantesco Botafogo. Um elenco que acrescentou à organização extrema o espírito da Libertadores. Trabalhou, sempre, no limite. Heroi a cada jogo.

Depois de ser superado em casa pelo Barcelona de Guayaquil na última rodada, Jair decidiu mandar o time a campo no esquema de segurança. Nada de três atacante. Tampouco o 4-2-3-1 utilizado contra Estudiantes ou Colo Colo. Estava lá o 4-4-2, mesmo esquema contra o Grêmio. Mas a organização quase obsessiva voltara. É um time incorporado na Libertadores. Sente a batida da competição. Busca o limite. Tem consciência de que precisa utilizar o máximo de sua capacidade para ultrapassar cada barreira. E, nesta quinta-feira, usou a tabela a seu favor.

Com a vitória do Estudiantes sobre o Barcelona, o Atlético Nacional precisaria da vitória a qualquer custo no Rio. Em um 4-3-3, obviamente precisaria sair. Deixaria o Botafogo confortável para realizar o seu jogo de contragolpes em casa. O desenho estava claro. Bastaram dois minutos. Com o adiantar do time colombiano, Pimpão achou Camilo sozino na grande área. De frente para Armani, ele perdeu a passada e deixou a bola para Roger, que bateu seco, de primeira, mas a bola carimbou a trave. Seria daquele jeito.

Botafogo no 4-4-2: organização extrema

O Atlético, óbvio, tinha mais a bola. Tentava usar os lados, com Ibarguen na esquerda e Quinónes na direita, em busca de tabelas com Macnelly Torres mais ao meio. Mas o Botafogo sabe se proteger bem. Pimpão, o atacante que faz a meia, fechava o lado esquerdo com Victor Luís. Bruno Silva, o volante que faz o meia, pela direita colaborava com Emerson Santos, de novo improvisado na lateral. Um time extremamente organizado, comum sincronismo pouco usual por gramados brasileiros por tanto tempo. Um time no limite. No primeiro tempo, apenas Macnelly Torres teve uma boa chance de cabeça. Um jogo dentro do previsto por Jair. Faltava, ainda, o gol da vitória.

Ele chegou com cinco minutos do segundo tempo. Uma demonstração de como o Botafogo e multiplica em campo para superar deficiências. Pimpão, sempre pelo lado esquerdo, invariavelmente busca o movimento para o interior da área em busca de definição. É o símbolo deste Botafogo. Na entrada da área, ele recebeu passe de Rodrigo Lindoso, ganhou na corrida de Arias e chutou cruzado. 1 a 0. Pimpão, de novo decisivo. Heroi em mais um jogo, como diante de Olimpia e Colo Colo. E a partida ficou ao feitio, como em Medellín.

Botafogo ao fim do jogo: fechado

Jair repetiu a estratégia, sacou Roger e colocou Guilherme em campo em busca de mais velocidade na frente. O Atlético subia por inteiro. Ainda apostando nos lados. Mas Quiñones e Ibarguen eram bem marcados. Macnelly Torres já demonstrava nervosismo. Veloz, com a rotação a mil, o Botafogo passou a perder soldados. Pimpão desabou. Camilo também. Retratos do time que utiliza o extremo como principal arma. Na arquibancada, a torcida cantava. 1 a 0. Pimpão, lágrimas no olhos, deixou o campo. Orgulhoso de si. Orgulhoso do time. Com razão.

Foram confrontos com campeões de Libertadores como Colo Colo e Olimpia com arranques na largada da temporada. Enquanto outros treinavam, o Botafogo jogava o ano. No grupo do atual campeão foi desafiado de novo. Mas mostrou ter garra e organização suficientes para ser um dos candidatos a ir longe na competição. Não há como duvidar deste Botafogo de Jair Ventura. Um, dois três, quatro, cinco rivais. Todos pelo caminho. Com uma rodada de antecedência, o clube volta às oitavas da Libertadores após 21 anos. Sem a principal contratação, Montillo, sem lateral direito de ofício, sem zagueiros no banco de reservas. Uma Estrela que pulsa, sente o jogo, está determinada. Conhece o seu limite em campo, mas testa até pode chegar. Um grupo que honra o hino. Foste heroi em cada jogo, Botafogo.

FICHA TÉCNICA:
BOTAFOGO 1X0 ATLÉTICO NACIONAL

Local: Estádio Nilton Santos, o Engenhão
Data: 13 de abril de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Victor Carrillo (PER)
Público e renda: 30.813 pagantes / 33.317 presentes / R$: 1.252.810,00
Cartões amarelos: Rodrigo Pimpão (BOT) e Alexis Henríquez (ATL)
Gol: Rodrigo Pimpão (BOT), aos cinco minutos do segundo tempo

BOTAFOGO: Gatito; Emerson Santos, Carli, Igor Rabello e Victor Luis; Rodrigo Lindoso, João Paulo, Bruno Silva e Rodrigo Pimpão (Gilson, 37’/2T); Camilo (Dudu Cearense, 41’/2T) e Roger (Guilherme, 21’/2T)
Técnico: Jair Ventura

ATLETICO NACIONAL: Armani; Bocanegra, Cuesta, Alexis Henríquez e Farid Díaz; Aldo Ramírez (Luis Ruiz, 16’/2T) Arias e Macnelly Torres; Quinónes (Nieto, 35’/2T), Dayro Moreno e Ibarguen
Técnico: Reinaldo Rueda

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