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Cruzados da Copa, dia 7: o novo e o velho em uma Copa na qual o tempo e o jogo andam
18 de junho de 2026

Cruzados da Copa, dia 8: o fim de um sonho sob todos os ângulos na Copa das imagens

Twitter Soccer Canada

(Twitter Soccer Canada)

Dia 8. Sem celeumas, admitamos mesmo que baixinho: foi o pior dia da Copa. Partidas menos interessantes, duelos nem tão bem disputados assim, ainda que tenhamos alguns destaques para guardar na memória. O massacre canadense sobre o Qatar, claro, salta aos olhos. Jogo em casa, estádio lotado e a primeira vitória em Copas do Mundo. Mas ali, no meio de tanta euforia, lembramos que há espaço para dor em Copa. Não só a física, mas a da alma. Koné jogava em casa uma Copa do Mundo, diante dos seus. Levou um pontapé – o primeiro – de Madibo e deu adeus a um sonho. Falamos muito sobre ciclo olímpico, o período de quatro anos entre os Jogos. Mas pouco sobre o ciclo de Copa. Mesmo período, atletas da mesma maneira, com sonhos semelhantes.

Em um atleta que atua em casa, então, é de pegar ainda mais na alma. Neymar, em 2014, teve experiência igual. Konté, fraturado na perna esquerda, ainda saiu saudando os torcedores que o aplaudiam. Parecia até em choque diante do ocorrido. Por isso falamos tanto em sonho de Copa. Um torneio mítico, quadrienal, que separa grandes, gigantes e deuses. Encerrar uma passagem por ele assim deveria ser proibido pelas regras terrenas e divinas da bola. E se, por um instante, você perdeu a imagem da dividida que tirou Koné da Copa basta ir a uma rede social. Em segundos ela se materializa, você a observa por diversos ângulos. Pausa. Acelera. Volta. Coisas do futebol moderno e, numa pensata dessas em um dia pouco agitado, me levou para 98.

Arquivo Diário LANCE 1998
(Arquivo Diário LANCE 1998)

Jogava a seleção de Zagallo o último jogo da fase de grupos da Copa da França. Brasil classificado, vitórias sobre Escócia e Marrocos (coincidência, não?), e encarava a Noruega. O time do atacante grandalhão Tore André Flo já tinha dado trabalho em um amistoso um ano antes da Copa. Na hora pra valer, nova vitória deles e de novo com Tore Flo como protagonista. O norueguês sofreu um pênalti no finzinho do segundo tempo cometido por Júnior Baiano. O árbitro norte-americano Baharmast passou dias sendo xingado. Simplesmente não existia prova de que Baiano, realmente, tinha cometido o crime, ou melhor, o pênalti. No dia seguinte a imagem de uma tv sueca surgiu: o zagueiro realmente tinha puxado o atacante pela camisa. Pênalti claro. Árbitro isento e o mundo da bola embasbacado. Que tempos.

Eram, à época, 50 câmeras destinadas a transmitir e gravar um jogo de Copa do Mundo. Imaginem hoje. Smartphones nas arquibancas, câmeras nas mãos de outros torcedores, todo detalhe é registrado em uma Copa do Mundo. Nenhum lance some. Imediatamente buscamos nas redes e podemos ver a triste fratura de Koné. Ou a emocionante comemoração de torcedores mexicanos, felizes com o 1 a 0 sobre a Coreia do Sul e a classificação para os 32 avos da Copa. Podemos ver e rever tudo isso deitados no sofá, na rede, na cama. Quase que instantaneamente. Tempos de uma Copa das imagens.

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