
(Twitter Soccer Canada)

Dia 8. Sem celeumas, admitamos mesmo que baixinho: foi o pior dia da Copa. Partidas menos interessantes, duelos nem tão bem disputados assim, ainda que tenhamos alguns destaques para guardar na memória. O massacre canadense sobre o Qatar, claro, salta aos olhos. Jogo em casa, estádio lotado e a primeira vitória em Copas do Mundo. Mas ali, no meio de tanta euforia, lembramos que há espaço para dor em Copa. Não só a física, mas a da alma. Koné jogava em casa uma Copa do Mundo, diante dos seus. Levou um pontapé – o primeiro – de Madibo e deu adeus a um sonho. Falamos muito sobre ciclo olímpico, o período de quatro anos entre os Jogos. Mas pouco sobre o ciclo de Copa. Mesmo período, atletas da mesma maneira, com sonhos semelhantes.
GOLEADA PARA E POR ISMAËL KONÉ! 🥺
— CazéTV (@CazeTVOficial) June 19, 2026
O Canadá venceu o Catar, com direito a hat-trick de Jonathan David e bela atuação do time canadense. O jogo ficou marcado pela triste lesão de Ismaël Koné. Desejamos força e pronta recuperação ao atleta. ❤️🇨🇦 pic.twitter.com/HKYGAoCvbJ
Em um atleta que atua em casa, então, é de pegar ainda mais na alma. Neymar, em 2014, teve experiência igual. Konté, fraturado na perna esquerda, ainda saiu saudando os torcedores que o aplaudiam. Parecia até em choque diante do ocorrido. Por isso falamos tanto em sonho de Copa. Um torneio mítico, quadrienal, que separa grandes, gigantes e deuses. Encerrar uma passagem por ele assim deveria ser proibido pelas regras terrenas e divinas da bola. E se, por um instante, você perdeu a imagem da dividida que tirou Koné da Copa basta ir a uma rede social. Em segundos ela se materializa, você a observa por diversos ângulos. Pausa. Acelera. Volta. Coisas do futebol moderno e, numa pensata dessas em um dia pouco agitado, me levou para 98.

Jogava a seleção de Zagallo o último jogo da fase de grupos da Copa da França. Brasil classificado, vitórias sobre Escócia e Marrocos (coincidência, não?), e encarava a Noruega. O time do atacante grandalhão Tore André Flo já tinha dado trabalho em um amistoso um ano antes da Copa. Na hora pra valer, nova vitória deles e de novo com Tore Flo como protagonista. O norueguês sofreu um pênalti no finzinho do segundo tempo cometido por Júnior Baiano. O árbitro norte-americano Baharmast passou dias sendo xingado. Simplesmente não existia prova de que Baiano, realmente, tinha cometido o crime, ou melhor, o pênalti. No dia seguinte a imagem de uma tv sueca surgiu: o zagueiro realmente tinha puxado o atacante pela camisa. Pênalti claro. Árbitro isento e o mundo da bola embasbacado. Que tempos.
Eram, à época, 50 câmeras destinadas a transmitir e gravar um jogo de Copa do Mundo. Imaginem hoje. Smartphones nas arquibancas, câmeras nas mãos de outros torcedores, todo detalhe é registrado em uma Copa do Mundo. Nenhum lance some. Imediatamente buscamos nas redes e podemos ver a triste fratura de Koné. Ou a emocionante comemoração de torcedores mexicanos, felizes com o 1 a 0 sobre a Coreia do Sul e a classificação para os 32 avos da Copa. Podemos ver e rever tudo isso deitados no sofá, na rede, na cama. Quase que instantaneamente. Tempos de uma Copa das imagens.
Confira todos os Cruzados da Copa aqui