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20 de junho de 2026

Cruzados da Copa, dia 10: a rara – e cara – arte de simplesmente balançar a rede

Fifa.com

(FIFA.com)

Dia 10. O saudoso Washington Rodrigues, o Apolinho, sempre costumava dizer em suas resenhas pós-jogo nas rádios cariocas. “Gol é caro. Por isso que Romário, Edmundo custam um pouquinho mais”. Noves fora o fato de que Apolinho era amigo íntimo dos dois craques, ele tinha razão. A arte do gol é rara até mesmo na Copa do Mundo. O refino para colocar a bola na rede, finalizar com frieza e tranquilidade é dom para os grandes. Não à toa Messi, Mbappé e Harry Kane foram ovacionados na primeira rodada. Um contraste brutal com o equatoriano Enner Valencia. 36 anos, goleador máximo da seleção com 49 gols, seis deles em Copas, o atacante é bem respeitado por sua gente. Ainda que seu dom seja o de perder chances inacreditáveis.

Curaçao, estreante em Copas, tinha levado sete gols da Alemanha. Sete. O Equador, capitaneado pela incrível incapacidade de Valencia, ficou no zero no confronto. Está com um pé e meio fora da Copa por simplesmente não conseguir converter chances fáceis. A conclusão cara a cara com Room aos dois minutos de jogo que nos diga. Impossível não se solidarizar com o goleiro Galíndez quando viu o atacante, no segundo tempo, cabecear para fora. Tudo pesa para Enner Valencia. A postura se modifica, a confiança abaixa e as conclusões se acumulam em trapalhadas. Há jogadores que crescem diante do goleiro. Outros diminuem. Enner Valencia abraça sempre a segunda opção. Deixou o futebol brasileiro marcado por chances perdidas em uma semifinal de Libertadores contra o Fluminense. Mas foram inúmeras vezes.

Boleiros históricos costumam relatar que nos treinamentos é onde o verdadeiro potencial do jogador aparece. Ali, sem tanto compromisso com o mundo real, o resultado de uma partida, todos se soltam. E os gênios eram diferentes. Barbarizavam mais do que em jogos. Vampeta não cansa de falar sobre Ronaldo. Tive a sorte de pegar um tempo no qual ainda acompanhávamos as atividades integralmente. Romário, já veteraníssimo no Vasco, treinava apenas finalização. De dez bolas, nove geralmente entravam. Tranquilo, frio, raciocínio rápido e muito à frente do goleiro. Era diferente. Assim como os equatorianos, os turcos também falharam no quesito. Trabalharam de todas as maneiras contra o Paraguai, tiveram um jogador a mais, maior volume de jogo. Mas perderam a partida e não saíram do zero.

Bem diferente da Holanda, avassaladora diante da Suécia. Ronald Koeman e companhia parecem bem preparados, com intensidade – daí Depay ser figura constante no banco. Gakpo e Brobbey deram conta do recado. Potenciais adversários do Brasil na próxima fase, não seria um confronto delicado para os meninos de Don Carletto. No fundo, qual duelo não seria diante de uma Seleção Brasileira que ainda deixa a desejar e tem em Neymar o seu eterno personagem? Difícil. A Alemanha buscou a virada contra a Costa do Marfim, carimbou a vaga nos 16 avos com dois gols de Undav. Às vezes quem está no banco pode resolver. Entende melhor a função de estufar bolas na rede. É dom raro. Arte não encontrada com fartura nem em Copa do Mundo. Natural, poucos são os escolhidos. Azar de Equador e Turquia que não contam com aqueles que “custam mais um pouquinho”. Estava prenhe de razão o Velho Apolo.

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