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Cruzados da Copa, dia 20: França e a arte de parecer fácil
1 de julho de 2026

Cruzados da Copa, dia 21: a Copa na qual o apito enxerga o futebol como ele é

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(Twitter Copa do Mundo FIFA)

Dia 21. A Copa avança a passos largos. É bom, mas é ruim. É ruim, mas é bom. Os jogos são mais emocionantes, disputados, as definições ocorrem quase sempre no apito final. Ao mesmo passo, porém, ela se aproxima cada vez mais do fim. É inevitável pensarmos como será o pós-Copa aqui no nosso cantinho. Em particular, um quesito pega muito para nós, consumidores ávidos do futebol brasileiro: o apito. É uma Copa que tem respeitado mais o esporte como ele é. Choques fortes são permitidos, o jogo corre sem faltinhas, posturas mais profissionais de atletas e comissão técnica, VAR pouco intervencionista. O nível das equipes colabora, claro. Mas o apito estridente…

Esta é a Copa com maior tempo de bola rolando entre as mais recentes, de acordo com o que divulgou o grupo de estudos da Fifa logo ao fim da fase de grupos. 58 minutos e seis segundos. No Brasileiro, por exemplo, temos cinco minutos a menos de jogo jogado em média. É fundamental entendermos que o mundo enxerga o futebol de maneira diferente, mais correta e que compreende a essência do esporte. Especialmente em um ambiente no qual os jogadores são de fato atletas, potências físicas absurdas, é necessário compreender que os choques ocorrem. Alguns fortes, verdade. E a maioria não é falta.

Claro que houve erros na Copa. Messi, por exemplo, teve expulsão aliviada contra a Argélia. Gana não teve um pênalti a seu favor contra a Inglaterra. Não se trata de uma perfeição. É um modelo de arbitragem mais adequada e que busca a melhora do jogo. Afinal, a bola tem de correr, o jogo é rápido, intenso. É costumeiro cá em terras brasilis termos árbitros que controlam o jogo ao picotá-lo completamente com faltinhas inexistentes. Na Copa, o jogo corre mesmo sob o apito brasileiro. Wilton Pereira Sampaio, por exemplo, teve duas ótimas arbitragens, especialmente em Holanda x Marrocos. Controlou a partida até com expressão do olhar. Quando apita no Brasil é diferente. Difícil acreditar que a culpa seja de Wilton.

Por aqui a nossa cultura valida intervencionismo de VAR, buscar pênaltis ou faltas inexistentes para mexer diretamente no jogo, no resultado. A orientação é diferente. Tudo com aval de comentaristas e influencers de arbiragem. A pressão é insuportável, fora e dentro de campo. Jogadores formam as rodinhas, comissões técnicas se descontrolam. Quase nada disso ocorre na Copa. Respeito ao jogo é essencial. É difícil, mas não impossível. O choque inevitavelmente vai ser grande. Estamos há 20 dias inebriados com um bom futebol, envolvidos pela aura mística da Copa do Mundo. Aos poucos lembramos que o pós-Copa vai existir, a atmosfera bélica em torno do apito está pronta para voltar. Quem sabe uma evolução neste sentido seja, de fato, o grande legado para o futebol brasileiro. Nosso apito, ficou evidente, está na contramão do mundo. A Copa enxerga o esporte como ele é.

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