Cruzados da Copa, dia 18: em meio a um respiro, memórias de uma Copa por dentro
29 de junho de 2026

Cruzados da Copa, dia 19: na eletricidade do mata-mata, a Copa e os quases para sempre

Twitter Copa do Mundo Fifa

(Twitter Copa do Mundo Fifa)

Dia 19. Tão traiçoeiro quanto sedutor esse tal de futebol. Ainda mais quando vive o seu auge, na Copa. A cada quatro anos tudo que nos encanta nesse esporte se concentra em um só torneio. Gostamos de tudo. Guardamos na memória e levamos à frente. Golaços, dribles desconcertantes, defesas épicas e os quases. Aquele desenho incompleto e que persiste em morar na nossa mente por tempo indeterminado. Quando menos esperamos, ele aparece. A caneta sublime no japonês, o arranque com leveza, a ginga esperta, o corte seco e o toquinho que se pretendia fatal. Vinícius Júnior esteve perto de fazer um golaço para sempre nas Copas. Parou em Suzuki. Quase.

Brasileiros que somos estamos acostumados a eles. Os quases de Pelé em 1970 são tão célebres quanto seus golaços. O chute de longe contra a Tchecoslováquia, o drible sem bola diante do Uruguai. Viraram expressão. “O gol que Pelé não fez” ganhou as ruas, as arquibancadas, o popular. Tudo por conta de um quase. É verdade que Suzuki teve também o seu desenho incompleto. A defesa-não defesa no gol de Martinelli vai perdurar por anos em sua cabeça. O toque leve, sem força o suficiente para permitir uma enorme história para contar aos netos. Deu Brasil, de novo.

E deu Paraguai, como nunca. À la Libertadores, nos pênaltis. A Alemanha, de novo, quase. Sucumbiu novamente sem chegar às oitavas de final. 2014 cada vez mais um retrato na parede. O momento pulsa intensidade, disputa, vigor físico. Holanda x Marrocos nos presenteou com tudo isso. De novo, os discípulos de Cruyff no quase dos pênaltis. Pela terceira Copa consecutiva um adeus dramático. Verbruggen em chance cristalina de Rahimi na prorrogação adiou tudo para as penalidades. Ali, frente a frente, o mesmo Rahimi. A bola, caprichosa, beija as mãos e escapa. Sairia e, num choque com os pés do goleiro, resolveu voltar. Quase, Verbruggen. Uma só palavrinha. Capaz de separar glórias de fracassos. Alegrias de tristezas. E tudo fica para sempre. Ou quase.

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