Twitter Seleção Argentina
Cruzados da Copa, dia 35: Messi, o controle do tempo e un poco más
15 de julho de 2026
Twitter FifaWorldCup
Cruzados da Copa, dia 37: quase 80 anos depois o nosso complexo de vira-lata persiste
18 de julho de 2026

Cruzados da Copa, dia 36: é impossível não escolher um lado na final da Copa

Dia 36. No último hiato da Copa do Mundo a expectativa enche o ar sobre a decisão. A atual campeã, Argentina, vai defender o título contra a Espanha, enfim com uma boa campanha depois de fracassos seguidos após seu primeiro título em 2010. Um duelo que promete colocar em campo estilos diferentes, desde o jogo até a cultura dos países. O coração sul-americano contra a plena razão europeia. Quente contra frio. Por isso parece impossível não escolher um lado nessa decisão ou em qualquer partida de futebol. A identificação é o que justifica o envolvimento com o esporte.

Nem seria surpresa para quem está aqui a acompanhar essas mal traçadas linhas que tenho predileção pela Argentina nesta decisão. O gosto é assim. Adapta-se de acordo com os confrontos, os adversários, as campanhas, as culturas até de cada país. E os hermanos têm Messi. Um alienígena do nosso tempo que insiste em não deixar o futebol de elite. É prazeroso observá-lo, mais leve depois do título mundial, a comandar seus companheiros e ainda resistente fisicamente aos 39 anos. Difícil não torcer para que a celebração de uma carreira tão bela seja ainda mais coroada com um bicampeonato mundial consecutivo.

Há nos argentinos um envolvimento, uma comunhão rara e característica das equipes que marcam eras. Os meninos de Scaloni, com o holofote em Messi, já ganharam a eternidade. Mas com um meio técnico e vigoroso, mentalmente quase imbatível, promete buscar o bicampeonato de cabeça erguida em Nova York no domingo. Entendo quem queira abraçar uma suposta rivalidade quase clubística com os hermanos e opte pelo outro lado. Nada contra. A única justificativa que não abraço é em torno da generalização do racismo, como se fosse uma chaga tão somente argentina. É simples até olhar para o outro lado, o país onde joga e sofre Vini Junior, para entender que o debate é além e a praga, mundial.

A Espanha tem seus méritos. Organizada, o projeto tocado por Luis de la Fuente. Você deve ter cansado de observar em redes sociais nos últimos dias a lembrança da derrota espanhola nos Jogos de Tóquio em 2021 para o Brasil na final olímpica. De la Fuente e inúmeros jogadores daquela equipe integram a hoje finalista de uma Copa do Mundo. Neste sentido é admirável. Num tom altamente provocativo, com a delícia do deboche e o humor ácido que me são característicos, chamei na rede social a seleção espanhola de “xexelenta” após a vitória maiúscula sobre a França. A enxurrada de xingamentos, os deboches e os questionamentos sobre o jornalismo esportivo e seu nível são infidáveis e seguem até hoje. A maioria feita por guris, mas tantos outros por pretensos analistas táticos das redes sociais. Daí vem parte de minha admitida implicância com a Espanha.

O Guardiolismo cultural criou uma seita que não admite mínimas críticas. Imagine, então, exageros provocativos como o feito por mim. Não há espaço para ver o futebol de outra maneira, com o jogo aproximado, a eterna troca de passes curtos e uma frieza e racionalidade excessivas que, a meu ver, descaracterizam demais o futebol e tiram o prazer em assisti-lo. De novo: opinião e todos estão liberados para ter a sua, desde que de maneira educada nos contrapontos ao coleguinha. É um jogo, a meu ver, chato. As comparações com o Flamengo de Filipe Luís, a quem quase sempre elogiei, ganharam as redes. A meu ver, de forma injusta. Ainda que criticado, o Flamengo multicampeão de 2025 tinha mais voracidade, maior agressividade, embora se defendesse bem e prezasse demais pela bola. As similaridades, creio, se encerram por aí. Culturalmente a torcida rubro-negra nem mesmo permitiria ver o seu time com a friza e a sonolência que apresenta Espanha. Mesmo com ótimos jogadores.

Não há um destaque absoluto. Como bem definiu Maestro Júnior no Jornal Nacional, o melhor jogador da Espanha é o time. Até essa característica me incomoda. Gosto de protagonistas, de um Messi esplendoroso, um Romário que decida, um Zidane que leve ao campo a classe e o talento franceses. Um símbolo. Incomoda a seita dos adoradores da seleção espanhola, como se olhassem toda o restante dos ignóbeis da humanidade de cima de um altar tático. Não é esse o legado que eu gostaria de ver reestabelecido no futebol mundial. Sim, Copas influenciam nos rumos da bola. A discussão ferve, o coração palpita, a expectativa cresce. É impossível ficar neutro na decisão da Copa.

Confira todos os Cruzados da Copa aqui