

Dia 3. Veio aí o Brasil, enfim. A Copa pegou de verdade nas ruas, pelo menos nas do Rio de Janeiro onde pude conferir in loco. Molecada à beça com camisa da seleção, pais idem, expectativa grande e…frustração. O legal, o bacana de Copa é manter no imaginário popular dogmas estabelecidos pela tradição da bola. Por exemplo, a Seleção Brasileira é uma das melhores do mundo e favorita sempre à conquista da Copa. Não é, turma. Essa ideia já se foi há um tempo. Tantos anos de desmandos, fabricação de moleques para tipo exportação daria nisso hora ou outra. Vivemos, portanto, um período difícil. Mas por qual motivo seria uma frustração? Da parte da turma que curte futebol de quatro em quatro anos, o fato – ou o susto – de não ter vencido. Simplesmente. De quem observa mais de pertinho, trabalha com isso a frustração veio com don Carlo Ancelotti.
Deixemos a análise mais aprofundada do jogo em si para quem deseja se debruçar nela. Não é o propósito destes textos durante a Copa do Chute Cruzado. Quando o calendário brasileiro voltar, o papo é outro. Mas Carleto era o depositário das grandes esperanças em uma seleção competitiva. Não foi o que aconteceu logo de cara em Nova Jersey. O Marrocos acuou o Brasil, deixou os jogadores da Seleção bem intranquilos e também desorganizados. Ou ficaram intranquilos porque estavam desorganizados. Pouco importa, não altera o produto final. Temos lá nossos questionamentos com Ancelotti. Casemiro – que coisa a atuação, aliás – Ibañez na defesa, Igor Thiago no ataque e Endrick nem como opção. O que ocorre, meu povo, é que esperávamos um Brasil mais afinado, ajustado e preparado para esse início de Copa. Ok, o pneu está sendo trocado com o carro andando. Mas poderia ter ao menos dois deles mais firmes.
VINICIUS JUNIOR. FALA DELE, MAS FALA BEM, BEM, BEEEEEM BAIXINHO! pic.twitter.com/OlkJBEKFf6
— CazéTV (@CazeTVOficial) June 13, 2026
No fundo, com um tanto de razão após o calor do jogo, confessemos que o patamar brasileiro atualmente é mesmo isso aí. Um empate com a ótima seleção do Marrocos. Brahim Díaz, Hakimi, o ótimo Bouaddi – 18 anos, gente – sem contar com o desfalque de Abde. Foi a surpresa da última Copa. Uma Suécia e Bulgária de 94. Croácia de 98 – sim, lembro de 2018. E nem contabilizo a Coreia do Sul de 2002 pelas duas enormes garfadas em Espanha e Itália. Portanto, um duro adversário para o tamanho da Seleção Brasileira hoje no futebol mundial. A Copa vai seguir como um enorme evento, a turma vai continuar a se reunir nos dois jogos que ainda restam – pelo menos. Bonito de ver o golaço de Vini Jr. A puxada pra dentro, a finalização certeira. E curioso dos tempos atuais. Busquem o ângulo de trás, quando Vini puxa para dentro da área e acompanhem na linha de fundo a quantidade de pessoas, atrás da placa de publicidade, que o acompanham com o celular. Novos tempos. Novo mundo.
A Copa, sedenta como sempre na primeira fase, nos brindou com mais dois jogos. Qatar ao arrancar o empate no fim com a Suíça e a vitória da Escócia diante de um bravo Haiti, o próximo adversário da seleção. Sobre eles dá para falar um pouquinho mais para frente. Mas vai ser mais difícil do que parecia para Ancelotti e seus comandados. Em 98, ainda moleque, me gabava de lembrar todos os resultados da Copa de cabeça quando o torneio estava já na semifinal. O frescor da juventude. Daqui a uma semana, talvez, não lembre o placar de Qatar e Suíça. O tempo passa para a gente. Passa para a Seleção. É um novo mundo. Mas ainda tem muita Copa.