Cruzados da Copa, dia 3: celulares em Vini, Marrocos e a frustração com Carleto
14 de junho de 2026

Cruzados da Copa, dia 4: entre madrugadas, o 7 a 1 ressurge em uma Copa da fartura

(DFB / Max Galys)

Dia 4. Haja fôlego. Entre uma madrugada e outra foram cinco jogos. É uma delícia, no fim. A Copa nos permite essa sensação de abundância, como uma criança que entrou numa loja repleta dos melhores brinquedos. Pois então, cinco jogos num só dia. Desde a surpreendente vitória da Austrália sobre a Turquia no início da madrugada de domingo até a avassaladora Suécia – Isak e Gyokeres serão Brolin e Dahlin da vez? – diante da Tunísia já na primeiras horas de segunda-feira. Entre tudo isso, de novo, um 7 a 1 alemão. Foi impossível não lembrar daquele 8 de julho de 2014 e a maior humilhação já imposta em um confronto esportivo de tal magnitude, entre duas forças gigantes. O 7 a 1 foi um marco cultural para nós por aqui, embora por um motivo, digamos, depressivo.

Virou expressão na boca do povo. Símbolo de um dia devastador, das mazelas brasileiras. Todo dia é um 7 a 1 diferente, já ouvimos em algum momento de 2014 para cá. Por isso chegou a ser engraçado ver brasileiros torcendo apenas por um 6 a 1. Ou, a partir do sétimo, por um 8 a 1. Os memes seria inevitáveis. Eles vieram. E a goleada sobre Curaçao trouxe de volta a dimensão do vexame brasileiro naquele ano. Pessoas estupefatas, choque nas ruas, nas redações. Foi e é um episódio incomparável e, acredito, incapaz de ser vingado ou repetido. Sete gols em uma semifinal de Copa do Mundo diante da seleção do país-sede. Dolorido.

O oposto da sensação japonesa ao empatar no fim da partida diante da Holanda. Brasileiros que somos estávamos ali de olho em um possível adversário mais à frente. É, confesso, uma sensação indigesta ao ver seleções em bom nível diante do que acompanhamos na estreia contra Marrocos. Costa do Marfim e Equador fizeram também um ótimo duelo – impressionante a sina de Enner Valencia para perder gols decisivos – e a disposição, a intensidade dos dois times. Marotamente, provoquei nas redes sobre Neymar. Seria o – ainda? – craque brasileiro capaz de suporta tal agressividade nos jogos depois de uma lesão e um mês parado? Fui xingado, outros concordaram comigo como o amigo Falso 9. Mas é o que nos cabe nesse momento. Comparação, questionamento, análise. A Seleção Brasileira nos permite isso.

As Datas Fifa são, no geral enfadonhas. Mas neste momento o holofote e a intensidade dadas às seleções são mais do que justificadas. Há uma enxurrada de cobertura de Seleção Brasileira atualmente. No geral há anos é um samba de uma nota só: coletivas de jogadores, técnico, informações à frente da concentração. Tudo muito envelopado, cerceado. Chatíssimo. Por isso o campo das análises é um delicioso licor para quem ama futebol. Faz parte do jogo. Desde análises mais sérias e intensas, como dos companheiros do UOL, até o jeito descontraído da rapaziada da Cazé TV – que preenchem a grade até de madrugada. É cativante. São tempos gostosos, confesso, para quem curte consumir conteúdo sobre futebol, especialmente em uma Copa do Mundo. Há espaço para todos. Desde o ótimo guia da Placar, impresso como manda a tradição, até a turma da Cazé e sua maneira diferente de se comunicar. É possível ficar o dia inteiro ligado em Copa.

Entender origens de nomes de jogadores, pesquisar seus lances no Youtube, seu histórico no Google, ouvir e ver análises sobre Curaçao e saborear histórias pitorescas como o zagueiro de Cabo Verde convocado por uma rede social. É possível fazer a nossa própria triagem. Ver, ouvir e ler o que quisermos. Por isso às vezes me questionam por que este Chute Cruzado não embarcou em vídeos, ainda fica restrito a textos. É uma opção. Textos longos ainda têm vez. Merecem ser lidos. Saboreados, questionado, criticados. Vamos seguir com essas linhas mais irreverentes, sem tanta pompa, por esses dias. Mas vez e outra podemos mudar. Tudo pode. É Copa, gente.