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Organização gremista quebra fórmula de segurança do Botafogo: há de ter alternativas

Luan Grêmio Botafogo João Paulo 2017

Luan perdeu chances incríveis na partida contra o Botafogo, de João Paulo

Luan Grêmio Botafogo João Paulo 2017

Luan perdeu chances incríveis na partida contra o Botafogo, de João Paulo

É chover no molhado dizer ainda que é cedo para avaliações definitivas logo na primeira rodada de um campeonato de 38 rodadas. Mas na avaliação dos porquês de uma derrota tão contundente, vale ao Botafogo uma reflexão sobre a estratégia para jogos fora de casa. A vitória de 2 a 0 do Grêmio, em Porto Alegre, poderia ter sido bem mais elástica caso Luan estivesse em uma noite mais feliz nas finalizações. Não houve chance para o Botafogo em momento algum da partida diante de um adversário organizado, com um jogo objetivo rumo ao gol.

Para tornar sua estratégia efetiva, o Botafogo deve ter seus jogadores extremamente concentrados na questão tática. Há limitações, claro. O time entrou na arena gremista com o mesmo 4-4-2 fechado que derrotou, por exemplo, o Atlético Nacional em Medellín, pela Libertadores. Pimpão fazia a função de meia pelo lado esquerdo, Bruno Silva pela direita, Camilo e Roger à frente. Mas, como dito, o esquema necessita de muita concentração. Não foi o que ocorreu.

Botafogo no 4-4-2 do primeiro tempo

O Grêmio de Renato Gaúcho, encaixado em um 4-3-3, marcou o rival na saída de bola para evitar qualquer chance ao contra-ataque. Michel começava as jogadas entre os zagueiros, acionando Arthur ou Ramiro. O meio era todo gremista. Pedro Rocha fazia o vaivém pelo lado esquerdo, enquanto Luan caía pela direita e pelo meio, onde alternava com Barrios sempre que necessário. Um Grêmio faminto por gol. E as chances apareceram diante de um Botafogo sem ideia do que fazer quando pressionado. Camilo, figura apagada, deixava a cargo de João Paulo a tentativa de iniciar o jogo alvinegro. Bastou ao Grêmio pressionar para, em seguida, lamentar as chances de Luan.

Primeiro, quando Pedro Rocha deu bote em João Paulo, rolou para o atacante, que, livre, bateu em cima de Gatito. Mais à frente, Barrios recebeu de Arthur e, de calcanhar, deixou Luan em boa condição. Ele gingou na frente dos zagueiros, mas concluiu mal, por cima do gol. Jair se preocupou. O Botafogo era pressionado, mas não conseguia jogar, ter ao menos as escapadas rápidas tradicionais em jogos fora de casa. Pimpão, alternativa para os contra-ataques, tinha de se preocupar em fechar as subidas constantes de Léo Moura. A tentativa foi inverter os laterais.

Emerson Santos, zagueiro improvisado, saiu da direita para a esquerda. Victor Luis, canhoto, foi para a direita. Houve uma só chance, quando Emerson avançou e cruzou para a área. Na rebatida da zaga, Pimpão bateu forte, mas a bola explodiu na defesa e subiu. A sorte parecia sorrir ao Botafogo ao parecer que o primeiro tempo terminaria sem gols. Que nada.

Antes da descida para o intervalo, Michel recebeu a bola de novo para a saída. Em vez de passar à frente, enxergou Léo Moura correndo disparado por uma avenida pela direita. O lançamento foi de almanaque. Victor Luís tentou acompanhar e não conseguiu. A matada de Léo, de extrema categoria, assim como o cruzamento. Barrios tentou, Gatito salvou. Pedro Rocha bateu de novo, Marcelo salvou na linha. Pela terceira vez, não. Ramiro chutou rasteiro e a bola balançou a rede. Gol chorado. 1 a 0. Ali se fazia justiça a um time que fechava a primeira metade do jogo com 60% de posse de bola e era incisivo, finalizava muito a gol.

No segundo tempo, Jair manteve a equipe talvez na esperança de acertar a marcação e preparar contra-ataques. Mas o time sentia a falta, por exemplo, da zaga titular. E tudo continuou igual. Camilo não criava. Bruno Silva não tinha espaço para avançar pela direita porque tentava fechar o lado para avanços de Marcelo Oliveira e Pedro Rocha. Airton e João Paulo corriam atrás de Arthur e Ramiro.

E a bola de pé em pé no Grêmio. Passes curtos, tabelas, mas sempre à frente, em busca do gol. Aos oito minutos, Barrios chutou, a bola bateu na defesa e voltou para Ramiro, que emendou de primeira. A bola desviou na mão de Luan e encobriu Gatito. 2 a 0. Não havia esperança.

Jair sacou Camilo, inoperante, e colocou Guilherme em campo de imediato. Minutos depois, Airton saiu para a entrada de Gilson. Um time mais ofensivo, em um 4-2-3-1 ao atacar, com Gilson centralizado, João Paulo e Bruno Silva à frente da defesa e Pimpão e Guilherme alternando as pontas. Foi à frente, mas já era tarde. Acabou ainda mais exposto. Em vez de tentar tabelas passando pelo meio, setor que Renato reforçara ao trocar Barrios por Jailson, o Grêmio passou a explorar mais os lados.

Botafogo na parte final do jogo

Por ali, mais duas chances incríveis foram perdidas.A primeira em cruzamento da esquerda de Cortês para Ramiro, que isolou na pequena área. A segunda de Léo Moura para Luan, também na pequena área, que cabeceou para fora. Gilson, no fim, ainda acertou a trave gremista em um dos avanços. Mas a diferença fora muito grande em campo. Geralmente seguro e eficiente, o Botafogo titubeou e não soube buscar alternativas para entrar no jogo quando percebeu que não havia espaço para contra-atacar.

Talvez seja resultado de seu sucesso. O esquema passa a ser mais visado e estudado. Movimentos decorados. Ainda é cedo para avaliação definitiva. Mas é um indício. Para sobreviver no Brasileiro, o Botafogo vai ter de buscar mais fórmulas para surpreender o adversário. Na estreia, não conseguiu.

FICHA TÉCNICA:
GRÊMIO 2X0 BOTAFOGO

Local: Arena do Grêmio
Data: 14 de maio de 2017
Horário: 19h
Árbitro: Bráulio Machado (SC)
Público e renda: Público: 18.552 pagantes / 20.289 presentes / R$ 679.623,00
Cartões amarelos: Marcelo Oliveira e Ramiro (GRE) e Marcelo, Bruno Silva, João Paulo, Emerson Santos, Rodrigo Pimpão (BOT)
Gols: Ramiro (GRE), aos 46 minutos do primeiro tempo e aos oito minutos do segundo tempo

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Léo Moura, Geromel, Kannemann e Marcelo Oliveira (Cortês, 26’/2T); Michel, Arthur (Gastón Fernández, 34’/2T) e Ramiro; Pedro Rocha, Barrios (Jailson, 30’/2T) e Luan
Técnico: Renato Gaúcho

BOTAFOGO: Gatito; Emerson Santos, Igor Rabello, Marcelo e Victor Luis; Bruno Silva, Airton (Gilson, 12’/2T), João Paulo e Rodrigo Pimpão; Camilo (Guilherme, 12’/2T) e Roger (Joel, 32’/2T)
Técnico: Jair Ventura

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