Andrés Ríos final Carioca
Emoção à flor da pele e troca de golpes: a primeira decisão entre Vasco e Botafogo
02 Abril 03:09
E o mundo levita: no apagar das luzes, um redentor Botafogo surge para ser o campeão
08 Abril 22:12

Vasco encontra equilíbrio entre desempenho e resultado e segura Cruzeiro no Mineirão

Riascos Vasco

(Flickr / Vasco)

Paulinho Vasco Libertadores Mineirão Cruzeiro 2018

(Flickr / Vasco)

Talvez o embate entre desempenho e resultado seja um dos maiores do futebol atual. O torcedor, em seu íntimo na arquibancada agora estofada de um confortável couro, clama sempre pela vitória, de qualquer maneira possível. Análises mais sóbrias, sem o calor do coração apaixonado, tendem a olhar para as duas frentes. É justo dizer que o Vasco conseguiu levar duas boas notícias do confronto com o Cruzeiro em Belo Horizonte, pela Libertadores. Um bom desempenho e um bom resultado. Empate sem gols, mas diante de uma boa apresentação do time.

Vá lá que o torcedor mais irritado possa ter reclamado de que o empate, logo após uma derrota em casa para a Universidad de Chile, não pode ser considerado um bom resultado. Mas seria exigir demais. O Cruzeiro em seus domínios é sempre um obstáculo difícil de superar. Mas vejamos o outro lado da balança: o time vascaíno vinha de uma vitória arrancada aos 48 minutos do segundo tempo no primeiro jogo da final do Campeonato Carioca, três dias antes. Era necessário jogar com inteligência, sem desperdiçar todas as fichas. Há dados ainda a rolar em outras quatro rodadas na fase de grupo da Libertadores.

Cruzeiro no início: sem atacante, movimentação e nada efetivo

Zé Ricardo mandou o time a campo novamente em um 4-2-3-1. Sem Giovanni Augusto, lesionado, centralizou Wagner e pôs Paulinho de saída na ponta esquerda. Mas, em um primeiro momento, esperou. Indicava um 4-4-2, Paulinho e Riascos à frente, e aguardava o Cruzeiro avançar. O time de Mano respondeu. Empolgado, com muita movimentação, mas nada efetivo. Também em um 4-2-3-1, a equipe celeste não contava com um atacante de ofício. Thiago Neves fazia o papel de homem centralizado, mas com muita movimentação, trocando por vezes com Arrascaeta, pela esquerda. À direita, Rafinha era responsável por acelerar o jogo. Robinho, centralizado, encostava à frente. Lucas Romero e, principalmente, Lucas Romero subiam. Cruzeiro à frente em bloco. Mas nada criativo. Nada efetivo.

Com um Vasco bem postado, sem subir tanto os laterais e Wagner e Pikachu fechando as pontas, coube ao time de Mano Menezes arriscar bolas cruzadas à área. Foram 24, de acordo com o site Footstats, apenas no primeiro tempo. Uma tentativa não aleatória, mas claramente pensada diante das falha do sistema defensivo vascaíno pelo alto em algumas partidas neste ano. Mas Paulão, que teve falha crucial contra o Botafogo, estava bem. Salvou pelo chão e pelo alto. Antecipou-se bem aos cruzeirenses. O time da casa tentava o abafa na saída de bola. O Vasco tentava manter a calma e o Cruzeiro apenas até a intermediária. Deixar o jogo mais morno. Arrascaeta, mais lento, não dava velocidade ao lado esquerdo. Thiago Neves tentava achar espaço entre a zaga e Desábato. Não conseguia. A organização do Vasco surpreendeu o Cruzeiro.

No fim da etapa inicial, Vasco se lançou mais ao ataque

Com o jogo travado, a rigor houve duas chances na primeira etapa. A cruzeirense, em um cruzamento de Arrascaeta da direita para Thiago Neves se antecipar à zaga e tocar por cima do gol de Martín Silva, logo no início. A vascaína, em um contra-ataque no fim do primeiro tempo. Wagner achou Paulinho na esquerda, que puxou para o meio e abriu de novo para o meia na ponta. O cruzamento rasteiro só não entrou porque Egídio travou a finalização de Riascos. Nenhuma finalização no alvo no primeiro tempo. O Vasco desceu ao vestiário calmo. O Cruzeiro, ansioso.

Ficou claro a urgência do time mineiro por um gol com a substituição logo no intervalo. Rafinha por Sassá. Mas Thiago Neves continuou como o atacante móvel centralizado e Sassá entrou à direita. Mano pedia mais velocidade, talvez para explorar Fabrício, que mostrava dificuldade para sair ao jogo. Deu pouco certo. Zé Ricardo fora obrigado a trocar Wagner por Evander devido a um problema com o meia. A substituição melhorou a equipe. O garoto mostrou maior mobilidade, forçando Henrique a buscá-lo com insistência, abrindo espaço no meio para as entradas de Paulinho. Por ali, o atacante quase abriu o placar ao finalizar forte e contar com um desvio em Ariel Cabral e só parar em ótima defesa de Fábio.

Cruzeiro ao fim: tentativa ofensiva, mas muito ansioso

A resposta cruzeirense veio também em contra-ataque. Sassá foi lançado na cara de Martín Silva, mas bateu em cima do goleiro, que saiu bem. Mas fora exceção. O Vasco encontrava seu jogo, era mais perigoso e já tinha avançado o posicionamento da equipe quando o acaso resolveu golpear o time. A queda de Paulinho sobre o próprio cotovelo esquerdo gerou cenas arrepiantes. O garoto, melhor em campo, saiu para a entrada de Andrés Ríos, que manteve o posicionamento à esquerda. Mas o time, naturalmente, recuou sem sua melhor peça. A criatividade passava pelos pés de Paulinho, caindo da esquerda para o centro. Ríos disputava mais a bola, podia ser opção de finalizações. Mas uma queda técnica. Mano sentiu o momento e sacou Mancuello da cartola. Escolheu Ariel Cabral, em noite ruim principalmente na saída de bola, pouco apoiando Arrascaeta. Mandou o Cruzeiro todo ao ataque, com Sassá agora mais centralizado, Thiago Neves e Arrascaeta pelos lados, Robinho e Mancuello por trás. Um 4-3-3 não muito organizado, mas incrivelmente ansioso.

Ao fim, Vasco fechou portas ao Cruzeiro e tentou o contragolpe

Nervoso com os resmungos da arquibancada, o Cruzeiro passou a atacar sem uma estratégia certa. Roubava a bola no campo de defesa, tentava acelerar a saída ao ataque e errava passes. Os meias buscavam enfiadas de bola para a infiltração de Arrascaeta ou Mancuello, por exemplo, e mais erros surgiam. A impaciência aumentava. A essa altura, o ponto já deveria ser valorizado pelo Vasco. Zé mexeu. Sacou Riascos, centralizou Ríos e pôs o garoto Caio Monteiro, muito veloz, pela esquerda. Fechou-se em um 4-4-2 e esperou por um contra-ataque fatal que não chegou. Mas, no geral, não houve como lamentar o jogo no Mineirão.

Em um jogo pesado pela Libertadores entre os dois jogos da final do Carioca, somar pontos era fundamental. Manteve o Cruzeiro junto na tabela e terá o jogo de volta em São Januário diante do rival caseiro. O desafio será pontuar na Argentina e no Chile diante de Racing e La U. Mas as chances ainda existem. Em Belo Horizonte, o Vasco de Zé Ricardo equilibrou desempenho e resultado. Volta ao Rio pronto para a finalíssima e com duas boas notícias. Não há muito do que reclamar.

FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO 0X0 VASCO

Local: Mineirão
Data: 4 de abril de 2017
Horário: 21h45
Árbitro: Raphael Claus (SP)
Público e renda: 35.033 pagantes / 38.019 presentes / R$ 1.877.854,00
Cartão Amarelo: Lucas Romero (CRU)

CRUZEIRO: Fábio; Lucas Romero (Ezequiel, 3’/2T), Dedé, Léo e Egídio; Henrique e Ariel Cabral (Mancuello, 36’/2T); Rafinha (Sassá / Intervalo), Thiago Neves e Robinho; Arrascaeta
Técnico: Mano Menezes

VASCO: Martín Silva; Rafael Galhardo, Paulão, Erazo e Fabrício; Desábato e Wellington; Yago Pikachu, Paulinho (Andrés Ríos, 26’/2T) e Wagner (Evander / Intervalo); Riascos (Caio Monteiro, 35’/2T)
Técnico: Zé Ricardo