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Cruzados da Copa, dia 21: a Copa na qual o apito enxerga o futebol como ele é
2 de julho de 2026

Cruzados da Copa, dia 22: o dolorido rito do adeus em Copas

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(Twitter Copa do Mundo FIFA)

Dia 22. Despedidas são difíceis. Dar adeus ao que estamos acostumados, àquela rotina de acompanhar craques que parecem ser eternos. Assim que Portugal e Croácia entraram em campo o aperto no peito já indicou que seria indigesto. Cristiano Ronaldo de um lado, Modric do outro. Um encontro precoce em Copa do Mundo que fatalmente nos faria assistir a um deles em campo num Mundial pela última vez. Nem seria por escolha de ambos. Mas o tempo, como sabem, é implacável. Dois jogadores simbólicos das últimas duas décadas. Cristiano com 41 anos. Modric, com 40. É uma Copa que nos obriga a dar adeus a quem tanto enriqueceu o futebol.

Bate um sentimento de gratidão. Ambos com carreiras brilhantes especialmente no Real Madrid, o maior clube do mundo. Mas ali com suas seleções, em Copas do Mundo, também brilharam. Modric, neste quesito, mais. Impossível esquecer como regeu o time croata até a decisão em 2018, o que lhe rendeu o título de melhor do mundo. Muitos discordam da decisão de dona Fifa, mas foi justo. A Copa, esse torneio quadrienal tão especial, é um desafio mental além do esportivo. Destacar-se como o melhor da competição de elite mundial deve render honras. E Modric desfilou pelos campos.

Cristiano Ronaldo teve seus momentos. Aquele 3 a 3 heroico com a Espanha em 2018, três gols do Camisa 7, está traçado com linhas douradas nas histórias dos mundiais. Não teve a sorte – ou competência – de chegar até uma decisão, mas é um dos grandes, inegavelmente. A despedida de Cristiano com a camisa lusitana ficou mais para frente. Mas está em curso. O atacante está longe de ter a eletricidade dos tempos de garoto. Mais parado, trotando, em busca dos espaços para deixar o seu gol. Marcou de pênalti e fez outro belíssimo, aliás, embora impedido. A qualidade está ali. Substituído a dez minutos do fim, balançou a cabeça negativamente. A mente quer mais. O corpo, porém, não obedece mais com tanta eficiência.

Ocorre o mesmo com Modric. A dinâmica invejável não é mais a mesma. Mas o passe refinado, o carinho com a bola continuam intocáveis. Surpreendeu até o quarentão suportar quase 120 minutos de bola – com os acréscimos, claro. Jogo encerrado, a câmera de tv buscou o rosto do croata. Mais enrugado, envelhecido e, claramente, impactado pelo adeus a Copa do Mundo. Disputou cinco desde 2006. Cristiano está na sua sexta. Um último confronto entre ambos por seleções no jogo no qual a tecnologia mais foi utilizada nesta Copa. Reflexo dos tempos. O futebol não é mais como era antigamente. Mudou. Ambos resistiram, encararam o tempo e as novidades como uma criança que nasceu em um mundo sem internet. Em 2030 o olhar vai para trás, a saudade vai apertar sem ambos em campo como já fez com tantos craques. E ainda deve fazer com outros nessa Copa. Dar adeus doi. Até na bola.

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