
Twitter Copa do Mundo FIFA

Dia 39. Bem, amigos, acabou. De uma maneira bem melancólica, na verdade. Uma ótima Copa do Mundo, com viradas espetaculares, histórias emocionantes, equipes que tocam o coração de quem ama a bola. A essência do que fez o futebol o esporte mais amado do mundo. E na partida decisiva…a pior final que já pude acompanhar – contabilizo desde 1990. A toqueira espanhola, de novo, ganhou o mundo numa sonolência incompatível e até desrespeitosa com quem é fã da bola ao redor do mundo. A Argentina, acadelada em seu campo, contribuiu demais com uma apresentação abaixo de pobre. Inqualificável. Ainda assim, a falta de ousadia da Espanha estendeu o jogo de maneira sofrível até a prorrogação.
“Nossa, mas é um poço de mau humor”, alguns devem ter pensado aí do outro lado. Em relação a esse futebol xexelentíssimo da Espanha, de fato, sou. Os fieis escudeiros dessa sonolência argumentarão com números, aqueles que, segundo Lúcio de Castro, sempre que torturados falam qualquer coisa. 65% de posse de bola, 12 finalizações no alvo contra nenhuma da Argentina. Ninguém aqui, meu nobre, está discutindo a justiça do título espanhol. Pelo jogo de hoje, perfeito. Nem precisava da infantil torcida contra de vários brasileiros, insuflados a uma rivalidade inexistente durante anos por narrações ufanistas. A Argentina, como disse, foi abaixo do sofrível. Não só porque foi anulada pela Espanha. Acadelou-se como não deveria. Quando teve 1 a 0 contra no placar, então, resolveu se aventurar minimamente pelo campo adversário e tornou o jogo bem mais interessante.
🇪🇸 🇪🇸 ESPANHA É BICAMPEÃ MUNDIAL!
— CazéTV (@CazeTVOficial) July 19, 2026
Em um jogo de completo domínio espanhol, a Espanha vence a Argentina com gol de Ferran e conquista a Copa do Mundo pela segunda vez! Assim como em 2010, o gol veio na prorrogação.
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Porque, a rigor, houve dois míseros lances de perigo antes do gol espanhol na prorrogação. E já perto dos acréscimos do tempo normal, na falta cobrada por Yamal e defendida por Dibu Martínez e a cabeçada de Merino, gol perdido, na pequena área, na prorrogação. E só. É toca, toca, tiki, taka, essa irritação endeusada por analistas catedráticos desde os tempos de Barcelona e que só saía da caixinha por causa de, veja só, Messi. É ele quem quebrava a máquina irritante do reloginho espanhol. Aos 39 anos, não conseguiu carregar além a Argentina desta vez. Há uma similaridade, embora tenha jogado mais, com Maradona em 1990. O prêmio de melhor do torneio, aliás, deveria ser do Camisa 10 argentino. O prêmio a Rodri chega a ser ofensivo e até mesmo contraditório.
Messi e pelo menos Mbappé – o artilheiro desta e de todas as Copas – e Bellingham jogaram mais do que o totem espanhol nessa Copa do Mundo. Mais decisivos, mais brilhantes, mais apaixonantes, mais plásticos. A argumentação de que se tratou de uma homenagem ao futebol coletivo espanhol é rasa como uma prancheta magnetizada com os indicativos do toca-toca. Os senhores doutores catedráticos da análise tática, decoradores do segundo volante do Uzbequistão, nos ensinam em suas palestras que a Espanha é um time extremamente coletivo e sem craques. Um deles, então, foi escolhido para representá-los como craque da Copa. Não faz o menor sentido. Coisas que só o bizarro mundo de Dona Fifa é mesmo capaz, entre uma politicagem e outra. Unai Simón, aliás, foi eleito o melhor goleiro da competição. Desse esporte visto e apresentado por eles, talvez. No futebol, não.
Uma grande Copa, a maior em quantidade de jogos, deu adeus de forma melancólica não só no apresentado no campo. Ronaldo, ele, levou a Donald Trump a taça da Copa do Mundo para cometer a fenomenal heresia de tocá-la, algo só permitido aos que já a conquistaram. Um Mundial no qual vimos a Fifa de joelhos para a potência norte-americana, nem parecia que Canadá e México foram também sedes – e bem melhores. Balogun jogou, Cristiano Ronaldo, Ochoa, Modric, talvez Messi deram adeus às Copas. Tudo daqui para frente será diferente. Campeões espalham o seu legado, interferem no jogo em todo mundo. Torço, assim como naquela noite fria de julho sentado na tribuna do Soccer City em Joanesburgo, em 2010, para que o mundo não acompanhe esse toca-toca. Acompanhamos a pior final de Copas. A diferença no placar foi mínima. O futebol é muito, mas muito mais do que isso.
Obrigado
Foram 40 dias de textos aqui no bom Chute Cruzado sobre a Copa. Soltos, sem preocupação extrema em construí-los de forma elegante, encaixadinha. Alguns uma simples galhofa, outros um bom desabafo. Mas sempre uma diversão. A Data Fifa que importa chegou ao fim, todas daqui até 2030 serão irrelevantes e voltamos nossas atenções ao que enche a barriga do futebol, os clubes. As análises de jogos vão voltar, sem viés catedrático, textos opinativos também vão pintar por aqui, assim como retorno dos contos. Estão todos convidados. Seja um ou sejam dois leitores assíduos, os textos são feitos com prazer, numa forma de troca com quem está do outro lado. O Chute Cruzado foi concebido em 2017 com essa ideia: ser um espaço livre para esse que vos fala, uma vez que já era proibitivo se estender em um mundo reduzido a 280 caracteres em redes sociais. Escrever grandes textos é ir na contramão. Gosto disso. Meu quintal, minhas regras. Como disse um rapazote hater no Twitter outro dia, seguirei com meus textos flopados. Espero que tenham curtido. Voltaremos em breve. Sem toca-toca. Beijos.
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