
(Twitter Fifaworldcup)

Dia 13. Lembrei de Zagallo, o Velho Lobo, ao colocar ali o número. Que personagem. Gostava de Copas. Vivia por elas. O futebol pelo futebol em si. A disputa do campo, o cheiro da grama, como diria Arnaldo Ribeiro. Copa do Mundo, esse megaevento globalizado, ganhou contornos ao longo de décadas de uma “experiência” – como gostam de utilizar isso hoje, cruzes – de elite. Fatura com a popularidade, seduz todos pelo mundo, mas para estar ali, dentro dela, é preciso grana e influência. Dá status, no fim. A história conta que essa elitização da Copa, o evento como business, começou com João Havelange lá nos anos 70. E, de fato, é irreal pensar em um torcedor apaixonado comum que consiga bancar uma ida a um Mundial. É, portanto, excludente. Logo me veio à cabeça esse status da Copa ao ver a comemoração de Cristiano Ronaldo contra o Uzbequistão. Lá foi ele correr para a lateral do campo, pulou, virou de costas, abriu os braços e:
“Siiiiuuuuuu!”, gritou o estádio praticamente inteiro.
The GOAT. 🇵🇹🔥 pic.twitter.com/G35fCnerEX
— Cristiano Ronaldo News (@CRonaldoNews) June 23, 2026
É inegável que é legal. A comemoração registrada, um dos maiores do esporte, o momento do gol. Mas é a tal da experiência. Quantos stories não foram feitos, fotos tiradas, vídeos com as imitações de comemoração do atacante português? Vários dentro desse clube exclusivo de Copa do Mundo presentes ao massacre de Portugal, que, enfim, desencantou. Cristiano Ronaldo é símbolo dessa era. Midiático ao extremo, olha para a arquibancada e diz “I´m back” repetidas vezes, pede respeito também em inglês. Fala com as lentes do mundo como poucos. Entende o business. Tem cada momento, cada passo registrado. Coisas desses nossos tempos. Óbvio que ele tinha plena consciência de sua corrida contra Mbappé, Haaland, Vinicius Junior e, claro, Messi. Gosta do jogo do status.
#FanáticosPlus | La mejor celebración de toda la historia. 🤩🐐
— Fanáticos + (@FanaticosGMV) June 23, 2026
No importa el estadio, la ciudad o el país. Cuando Cristiano celebra, el mundo entero lo hace con él. 🌍⚽️🔥
El “Siuuu” que marcó generaciones y sigue haciendo vibrar a millones de aficionados. pic.twitter.com/CSwfRulnur
Sua esposa, Georgina Rodríguez, também embarca nesse mundo de status e celebridade. Comemora os gols de Cristiano com uma pose provocativa, ao lado da tv, pernas ao vento e a camisa da seleção portuguesa. A editoria esposas e namoradas de boleiros, aliás, continua a todo vapor. Lá fora são chamadas de WAGs, sigla para Wives and Girlfriends, já há algum tempo. Victoria Beckham foi um expoente desses tempos idos. Aqui no Brasil, a sigla ganhou força nesses tempos. Mas tudo gira mais em torno do lifestyle das moças, os preparativos para torcer pelos amados, como diria a Revista Caras. Lembro de 1998, onde o tempo para relacionamentos íntimos era abertamente tratado pela imprensa brasileira. Se tem folga, tem sexo. E linhas eram traçadas sobre isso. Tempos mudaram nesse sentido. Ainda bem. Agora, as WAGs quase competem entre si sobre acessórios. Diz O Globo que Duda Fournier, a senhora Lucas Paquetá, foi ao jogo do Haiti com um relógio que custaria incríveis R$ 400 mil.

Tudo por status, um clube exclusivo. As situações se misturam e a cada quatro anos a Copa do Mundo encorpa como um megaevento de elite. Ingressos cada vez mais caros, quase inacessíveis para torcedores comuns, que gostam de futebol tão somente. É um fenômeno não apenas do torneio de seleções, claro. Os clubes, até brasileiro, passam por esse fenômeno de elitização, status. Ver gols de Messi de perto é muito caro. Acompanhar Kane perder um gol inacreditável como fez diante de Gana, também. Cristiano – afinal, Ronaldo só existe um – é quem melhor entende a dinâmica desse jogo do business. Tudo vale muito na atual Copa. Inclusive comemorar, de pertinho, um “siiiiuu!”
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