Lucas Paquetá Flamengo Sport 2018
Apesar de Paquetá: Flamengo arranca vitória sobre Sport após expulsão do meia
19 novembro 00:19
Henrique Dourado Diego Lucas Paquetá Flamengo 2018
Hesitação, erros e a perda da passada: o Flamengo que não soube voar em 2018
10 dezembro 20:27

Meta mínima, chama acesa e pensatas para 2019: Flamengo passa pelo Grêmio

Uribe Flamengo gol Rever Grêmio 2018 Maracanã

(Gilvan de Souza / Flamengo)

Diego Flamengo gol Grêmio Maracanã camisa 10

(Gilvan de Souza / Flamengo)

Entre altos e baixos ao longo da temporada, o Flamengo indicava que terminaria o ano de forma extremamente melancólica. A frustração é evidente e só mesmo o milagre de uma virada final sobre o Palmeiras na tabela a dissiparia. A tranquila vitória de 2 a 0 sobre o Grêmio no Maracanã, no entanto, não só concretizou a meta mínima no Campeonato Brasileiro – a vaga no G-4 – como manteve a breve chama acesa pelo título e deu perspectivas para 2019. Verdade que adiar conquistas para o ano seguinte indefinidamente tem sido um ciclo vicioso no Ninho do Urubu. O fim da Era Bandeira de Mello, no entanto, abre a porta para uma ruptura. O Flamengo tem desafios para estudar, encarar e iniciar o trabalho. Restam pouco mais de 40 dias até a reapresentação para a temporada 2019. No futebol brasileiro, tempo é material precioso.

Flamengo no início: adiantado, Diego próximo da área e com muito espaço

O caminhão de indefinições aponta, claro, para a nova gestão do clube, a ser definida em 8 de dezembro. E daí a refletir em campo. Dorival Júnior tem feito bom trabalho. Coleciona agora seis vitórias, três empates e uma derrota neste retorno ao Flamengo. Lidou com grave crise diante do goleiro Diego Alves e recuperou atletas, casos de Willian Arão, Uribe e Vitinho. Reviveu um Flamengo que parecia cair aos pedaços. Seria natural pensar em sua permanência para a próxima gestão. Mas o dilema rubro-negro aponta para uma ruptura. Deixar para trás vestígios do comando do futebol na gestão de Bandeira de Mello e iniciar, de fato, um novo ciclo. É curioso. Pois o técnico apresenta um estilo de futebol buscado pelo clube nos últimos anos, principalmente com os novatos Zé Ricardo e Mauricio Barbieri. O jogo do Flamengo, há algum tempo, tem uma cara.

Ao tirar o time do 4-1-4-1 e adaptá-lo ao 4-2-3-1, Dorival Júnior manteve a essência do trabalho de Barbieri. Vasta posse de bola, domínio sobre o adversário. Mas o tornou mais feroz, imponente. Obviamente a equipe ainda apresenta seus defeitos, principalmente a falta de competitividade que subitamente a acomete, como diante do Botafogo. Não era o caso da partida contra o Grêmio. Sem Léo Duarte, poupado por desgaste muscular, a zaga foi formada por Rhodolfo e Rever. Teoricamente, mais lenta para conter a velocidade de Everton, um dos destaques do futebol nacional. A rigor, o Flamengo funcionou melhor. Um time mais ajustado, próximo, sem espaçar tanto o meio dos defensores. Rever evitou os arroubos de atacante com a bola. Willian Arão, uma vez mais, se portou mais como volante, ocupando faixa ao lado de Cuellar e infiltrando na área de maneira consciente. O Flamengo se entendia bem, era mais feroz em casa. E tinha um Diego livre.

Grêmio no início: sem mobilidade, mais recuado e sem saídas rápidas

Os desfalques com o elenco curto obrigavam Renato Gaúcho a improvisar no Grêmio. Marcelo Oliveira, lateral em tempos recentes, acompanhava Geromel na zaga. Michel e Matheus Henrique formavam a dupla de volantes no pretendido 4-2-3-1, adaptado mais ao 4-4-2 com o Grêmio fora de sua característica: uma vez mais diante do Flamengo em 2018, o Tricolor Gaúcho tinha menos posse de bola. E, claro, precisava da velocidade para contra-atacar. Everton foi em acompanhado por Arão e Pará. Do outro lado, Ramiro possui o jogo mais cadenciado. Sem ter Maicon, Cícero ou o agora culé Arthur, a chance de diálogo com passes curtos fica menor. O Grêmio tornou-se mais lento. Deu mais espaços. Principalmente entre volantes e defesa. Uma alegria ao camisa 10 rubro-negro.

Quase três anos após sua chegada ao clube, Diego não apresenta o mesmo futebol que modificou a cara do time em 2016 e o tornou um fator de desequilíbrio. As declarações comedidas e resignadas diante de fracassos, talvez impulsionadas por certo receio de desagrar Tite na corrida por uma vaga na Copa da Rússia, irritaram parte da torcida. Mas é fato que o meia ainda tem seus bons momentos e foi componente importante no 4-1-4-1 que fez sucesso no Flamengo líder do Campeonato Brasileiro. Principalmente quando acelera o jogo, troca passes mais rapidamente e se aproxima da área, como fizera diante do Corinthians no primeiro turno. A mudança realizada por Mauricio Barbieri na vitória sobre o Ceará, fora de casa, fez o time apresentar o futebol mais bem jogado da competição. Paquetá, recuado, iniciando o jogo. Diego, mais avançado, com boa presença de área. Com essa formação, o Flamengo liderou o Brasileiro por 13 rodadas, um recorde que não será superado nem mesmo caso o Palmeiras termine campeão – terá 12, como informou o site Futdados. O Grêmio permitiu esse espaço a Diego.

Mais avançado pelo lado esquerdo, ele soube se entender com Renê e, principalmente, Vitinho. O camisa 14, porém, ensaiava boas jogadas, visualizando espaços para servir ou finalizar. Mas evitou ir ao fundo. Buscava o meio e vivia noite ruim tecnicamente. Descalibrado, errou passes, cruzamentos e chutes, fosse na esquerda ou na direita, a depender da alternância constante com Everton Ribeiro. Aos poucos, o Flamengo pressionava o Grêmio, subindo em bloco e assustando o rival. Uribe dividiu bola com Cortês em escanteio, a bola bateu na mão do lateral e explodiu na trave de Paulo Victor. O Maracanã se animava, gostava do time mais feroz no ataque. Diego, de longe, deu belo chute para boa defesa do goleiro gremista. Um toque preciso de Dorival: o Flamengo que troca passes, mas não espera indefinidamente pelo erro adversário. Agride para tentar criar oportunidades. Como ocorreu na tabela entre Vitinho e Cuellar, que fez o colombiano invadir a área e tentar o cruzamento. No rebote, Renê bateu forte com o gol aberto, mas Geromel desviou na hora certa. Outro sinal para 2019.

Há anos a torcida do Flamengo questiona a capacidade de seus laterais. Se a balança ainda é desfavorável no lado direito e aponta para reforços, a esquerda parece estar servida de forma eficiente. Renê cumpre boa temporada, com segurança na defesa e, aos poucos, menor timidez para ir ao ataque e arriscar infiltrações ou avanços à linha de fundo. Como a saída de Trauco parece provável, um reforço para a posição se impõe, mas Renê fatalmente seria namorado em redes sociais e até pelo clube caso estivesse com outra camisa em 2018. Certo é que o Flamengo não teve grandes problemas no primeiro tempo além da tradicional dificuldade de transformar seu volume e imposição de jogo em gols, convertendo a vitória.

Ao fim, Flamengo mais recuado e em busca de velocidade no contragolpe

Bastou pouco mais de um minuto do segundo tempo. Se antes o time girou a bola de Vitinho a Everton Ribeiro, passando por um toque de calcanhar de Arão para ótima finalização de Pará defendida por Paulo Victor, o gol chegou no escanteio cedido. A cobrança de Everton Ribeiro achou Rever, que resvalou de cabeça para a pequena área. Uribe, atento, saltou para ameaçar o voleio. Cortês, atrasado, utilizou desesperadamente a cabeça como tentativa de evitar o gol rubro-negro. Mas chegou depois que o toque fora dado, acabando atingido involuntariamente por Uribe. Mesmo com forte reclamação gremista sobre o jogo perigoso, o gol foi validado. 1 a 0. Por segundos, a vantagem para o líder Palmeiras diminuíra. A euforia do Maracanã deu lugar a uma breve frustração com a notícia de que o líder abrira o placar diante do América-MG, em São Paulo. O Flamengo, então, acomodou-se.

Passou a ser menos feroz ao buscar o ataque e tentar passes laterais. As triangulações pelo lado do campo, antes mais envolventes, também foram reduzidas. Por sorte, o desfalcado Grêmio era um adversário bem menos perigoso do que o time eliminado na Copa do Brasil. Por mais que Renato tentasse tirar da cartola opções que deixavam claro o elenco curto, como Alisson e Thaciano, o time buscava atacar com cruzamentos, principalmente com os avanços de Leonardo à direita. Everton, em uma delas, assustou César com uma cabeçada. Mas era muito pouco. Com o jogo controlado, embora não finalizado, Dorival poupou os pendurados Vitinho e Everton Ribeiro, reforçando o meio com Jean Lucas e os lados com Marlos Moreno e Berrío, que já entrara na vaga de Uribe. Diego permaneceu mais solto à frente, com liberdade.

Ao fim, Grêmio mais solto, em busca do ataque, mas sem efetividade

O Grêmio ainda assustou, com cabeçada forte de Geromel e ótima defesa de César. Mas o time aguardava, claramente, apenas um contra-ataque fulminante para matar a partida. É interessante: o Flamengo que controla o jogo com passes se moldou para chamar o Grêmio e buscar contragolpe, principalmente com Berrío, opção cada vez mais robusta para o elenco em 2019 após longo tempo lesionado. Em retomada rápida após escanteio, o colombiano recebeu de Jean Lucas pela esquerda e disparou diante de um Grêmio completamente exposto. Diego acompanhou e completou o cruzamento com tranquilidade, na segunda trave. 2 a 0.

Vitória que garantiu a meta mínima de classificação para a fase de grupo na Libertadores. Há uma consolidação no topo da tabela, com a terceira participação seguida na competição sul-americana. Mas o Flamengo já deveria ter alcançado outro patamar em seu terceiro ano de investimento parrudo no futebol. O título é improvável, embora matematicamente a chama ainda esteja acesa. O jogo do Maracanã trouxe algumas pensatas para 2019. Há jogadores recuperados. Há um Diego, com contrato apenas até meados de 2019, ainda muito útil se bem aproveitado. Não parece sensato abrir mão em uma tacada só de dois dos três meias do elenco – Lucas Paquetá já tem passagem marcada para Milanello. Há, também, a reflexão necessária sobre o estilo de jogo a desempenhar. Há uma ideia, de posse de bola, ofensiva, em curso desde 2016. Há um técnico a dois jogos do fim de sua segunda passagem. Há acima de tudo a necessidade de ruptura do modelo de gestão de futebol. Mas há, ao contrário do que indicava o esfarelar de 40 dias atrás, alguma perspectiva para 2019.

FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 2X0 GRÊMIO

Local: Maracanã
Data: 21 de novembro de 2018
Árbitro: Bráulio da Silva Machado (SC)
Público e renda: 33.932 pagantes / 36.013 presentes / R$ 701.361,00
Cartões amarelos: Willian Arão, Diego e Ramiro (FLA) e Matheus Henrique e Alisson (GRE)
Gols: Uribe (FLA), a um minuto e Diego (FLA), aos 44 minutos do segundo tempo

FLAMENGO: César; Pará, Rhodolfo, Rever e Renê; Cuellar e Willian Arão; Everton Ribeiro (Jean Lucas, 40’/2T), Diego e Vitinho (Marlos Moreno, 40’/2T); Uribe (Berrío, 21’/2T)
Técnico: Dorival Júnior

GRÊMIO: Paulo Victor, Leonardo, Geromel, Marcelo Oliveira e Cortês; Michel e Matheus Henrique (Alisson, 14’/2T); Ramiro, Jean Pyerre (Thaciano, 25’/2T) e Everton; Jael (André, 28’/2T)
Técnico: Renato Gaúcho