

Dia 2. Talvez eu só esteja ficando velho mesmo, mas não lembro de uma Copa com o desejo latente de focar em celebridades nos camarotes e tribunas dos estádios. Sim, sei que o país-sede que vai receber a maior parte dos jogos é também a terra de Hollywood. Mas que overdose. Liguei em Canadá x Bósnia e lá estavam Mike Myers, o eterno astro de Austin Powers ou a voz do Shrek no original, e Ryan Reynolds. O Deadpool, o dono do Wrexham, etc. Vocês sabem. Pulamos umas horinhas e chegou EUA x Paraguai. Leonardo DiCaprio – os belos também envelhecem, aliás – Katy Perry, Tom Cruise. Um tapete vermelho na, digamos, arquibancada. Geração de imagens tipo exportação. A Copa, fora do campo, é dos anônimos. Tantos personagens desconhecidos que ganham o mundo por décadas. Combinemos assim. Pois dentro de campo houve o que destacar. E como.
Hoje, o tio imaginário de todos nós descobriu Balogun. Colocou na lista de reforços, deu o aval e espera uma investida do time do coração já no pós-Copa. O atacante do Monaco – alô, Filipe Luís! – aprontou um salseiro daqueles para cima dos paraguaios e desde já ganhou um quentinho no coração de quem ama futebol. É, no fundo, o que queremos. Ofensividade, gols, dribles. A beleza do jogo em si. Nada disso faltou à seleção norte-americana. Maurício Pochettino, num visual de diretor de colégio em Malhação, parece mais leve, longe da pressão das grandes ligas europeias. Estruturou bem o time, deu velocidade, agressividade. Tillman apareceu bem. Com o suporte caseiro não dá para duvidar que possa ser uma das grandes surpresas dessa Copa. E Reyna, filho do pai, ainda completou o baile com uma trivela digna do português Quaresma. É gostosa, a Copa.
Cá no Brasil tem incomodado a neura de tuiteiros com o delay dos jogos. Cronometram, fissurados, a diferença entre Cazé TV, SporTV, SBT, Globo. De repente se formou quase uma briga de facções técnicas, discutindo o porquê da demora, a qualidade de imagem, projetando soluções e condenando quem opta por outra alternativa. Coisas do mundo moderno. Mal imaginam em tempos idos como devíamos fazer para assistir a um jogo de Copa. Fosse numa tv num bar, na espera do consultório do dentista, no cabelereiro. Num típico aparelho de tubo dos anos 90 o mágico era assistir ao jogo sem se importar com a imensa qualidade, se o sinal que chegava antes pela antena parabólica. Mas, como disse lá em cima, talvez eu esteja mesmo ficando velho.
WHAT A CROWD 😱
— ESPN FC (@ESPNFC) June 12, 2026
(via @BosniaNTBall) pic.twitter.com/87zcwdYEYg
Tão velho a ponto de curtir a hoje cinquentona Alanis Morissette na abertura do Mundial no Canadá encharcado por nostalgia dos anos 90. Lá se vão 31 anos desde Jagged Little Pill. Que álbum. Faz tanto tempo que 1995 foi exatamente o ano em que nasceu Cyle Larin, autor do gol canadense no empate com a Bósnia. O encanto do confronto surgiu mais das ondas de torcedores nas ruas de Toronto rumo ao jogo. Um mar vermelho canadense, natural, e uma assombrosa multidão azul a pulsar pela Bósnia. 12 anos depois eles estão de volta a uma Copa. Em 2014, na estreia deles em Mundiais no Maracanã, lá estava eu no jogo com a Argentina. Três jornalistas bósnios na minha frente acompanhavam o jogo com furor. 2 a 0 para a Argentina, gol de Messi, partida chegando ao fim e…gol da Bósnia. Os três levantaram na minha frente e tremularam a bandeira que tinham em mãos. Emocionante. Só a Copa.

Um torneio tão fundamental que é capaz de introduzir regras ao futebol. Estabelecer parâmetros. Vimos em Estados Unidos e Paraguai: vai ser possível voltar e revisar o lance para checar simulação. O paraguaio Almirón de vítima acabou desnudado pela imagem em câmera lenta. Acabou ele amarelado. Se a moda pegar por aqui a partir de julho muito vai mudar em terras brasilis. Mas para isso ainda falta muito tempo. Muito jogo. Muita discussão. Seleção Brasileira ainda nem veio aí. Falta tanto, mas já passa tão depressa.