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Trauco, Paquetá, Matheus Sávio? As opções de Zé para o período sem Diego no Flamengo

Diego Flamengo Boavista 2017

Diego pelo Flamengo contra o Boavista, na estreia da temporada 2017

Gol de Diego pelo Flamengo em 2017

Diego comemora um de seus sete gols em 2017: meia só deve retornar após cirurgia,  em até seis semanas

Palmeiras e Flamengo, segundo turno do Brasileiro de 2016, no Allianz Parque. Jogo mais esperado do campeonato, talvez o mais importante para as duas equipes que buscavam o título. Um Flamengo em ascensão no seu 4-2-3-1 perde Márcio Araújo após o segundo cartão amarelo, no fim do primeiro tempo. Zé Ricardo surpreende ao sacar Diego, craque do time, e colocar o volante Cuellar. O início do segundo tempo é elementar. Sem ter quem mantivesse a posse, a bola bate no ataque e volta na defesa rubro-negra. O técnico rubro-negro percebe com 15 minutos e troca Gabriel por Alan Patrick. Um golpe de sorte faz o meia marcar o gol segundos após entrar em campo.

Matheus Sávio como segundo atacante

O Flamengo, com um a menos e seguro no 4-4-1, tem um apoiador novamente. Alan Patrick, meia de origem, sabia cadenciar o jogo mesmo ocupando o lado esquerdo. Mantinha a posse. Chamava falta. Dava fôlego para o time se reacertar na marcação. O Palmeiras só conseguiu marcar o gol de empate aos 37 minutos, um chute de fora da área de Gabriel Jesus. Ainda que tecnicamente a diferença entre os dois fosse grande, o elenco rubro-negro tinha outro meia para manter parte das características do time com a ausência de Diego. Em 2017, não tem mais. Daí o desafio de Zé Ricardo ao perder o camisa 35 (ou 10) por mais de um mês em momentos decisivos de Campeonato Carioca e Libertadores. Terá de adaptar.

Matheus Sávio foi sua opção no confronto com o Atlético-PR pela Libertadores. Trauco estava no meio de campo em um 4-4-2 no qual Diego comandava o time mesmo à frente, próximo de Guerrero. Então camisa 10, o meia tem o passe refinado para girar a bola e achar espaços no adversário. Gosta, muito, da posse. Além da finalização apurada para aparecer na área e fazer gols como o segundo da vitória no Maracanã, com extrema categoria. O eixo da equipe.

Meia-atacante, Matheus não conseguiu manter a posse no ataque e se preocupava mais em fechar o meio de campo quando o time era atacado. A bola parava pouco em seu pé e, consequentemente, girava menos em um Flamengo que optava, naquela noite, por novamente trabalhar pelo chão de, pé em pé. Neste ano, o garoto disputou quatro jogos no Carioca, um na Primeira Liga e um a Libertadores. 274 minutos, no total. Um gol marcado, contra o Bangu.

Everton mais à frente, Trauco no meio

Ocorre que diante do Atlético-PR Everton, titular de Zé Ricardo, estava lesionado. Seu retorno ao time é praticamente certo. Essa pode ser uma uma saída para o técnico caso queira manter Trauco no meio e o 4-4-2. Everton, geralmente no corredor esquerdo, chegaria mais à frente, próximo de Guerrero. Pulmão não falta para avançar ao ataque ou compor a defesa caso necessário. Trauco poderia continuar a cair pelo meio, um sopro de habilidade e criatividade. Everton está longe de ter as características de Diego e, provavelmente, o Flamengo seria mais agudo, sem manter tanto a posse para chegar ao ataque. Mais velocidade. A cadência poderia ser responsabilidade de Trauco. Que seria, de fato, o armador do time.

Trauco mais à frente no 4-1-4-1

Contra Universidad Católica, na Libertadores, a aposta foi em um 4-1-4-1. Em uma adaptação atualizada, Márcio Araújo como primeiro volante e os quatro à frente formados por Everton, Trauco, Arão e Gabriel (ou Berrío). Mantidos os fôlegos do lados com Gabriel e Everton e um Trauco mais liberado para avançar ao lado de Guerrero e aproveitar o entrosamento da seleção peruana. O lateral tem seis assistências e dois gols em 13 jogos na temporada. Chuta bem de longe e tem boa penetração na área com infiltrações e possibilidade de triangulações. Contra a Católica, Romulo teve a liberdade para ir ao ataque do lado esquerdo. Mas por mais que tenha qualidade no passe, é lento e carece de criatividade para funcionar como o eixo do time. Poderia, caso recuperado, substituir Márcio Araújo à frente da defesa.

Lucas Paquetá centralizado no 4-2-3-1

Lucas Paquetá surge como mais uma alternativa para Zé Ricardo. O garoto, porém, parecer ainda carecer de cancha entre os profissionais para assumir função tão importante. Até na parte física. Neste ano soma 258 minutos em sete jogos disputados, seis no Carioca e um na Primeira Liga. Fez dois gols. Um deles de falta, arma importante. É, no entanto, quem mais pode se aproximar de Diego no elenco, com bom passe e visão de jogo. No 4-2-3-1, ele jogou centralizado entre os reservas contra o Ceará. O jogo terminou empatado sem gols e Paquetá acabou substituído. Contra o Madureira, entrou no segundo tempo no lugar de Willian Arão. Jogou ao lado de Diego por cinco minutos. Com a entrada de Gabriel, ele formou linha com Mancuello e Everton, à frente de Romulo e atrás de Vizeu. Um 4-1-4-1. O jogo não era centralizado nele. Fez um golaço, de cobertura, da intermediária.

Gabriel mais avançado

Gabriel e Mancuello seriam outras improvisações de Zé. Ambas já testadas. O primeiro foi o meia centralizado do time contra o América-MG, na Primeira Liga. Vitória de 1 a 0, gol dele. Mas foram poucos dez minutos de bom futebol. No restante o time travou por optar por velocidade excessiva em vez de construção de pé em pé. Mas o camisa 17 pode ser opção em um 4-4-2, na vaga de Diego. A dificuldade, novamente, seria manter a bola no pé para clarear jogadas e ajustar os ponteiros com o restante da equipe. Pressa em vez de raciocínio. Já o argentino foi o meia centralizado no 4-2-3-1 do empate em 2 a 2 com o Vasco na Taça Rio. Não funcionou. Fora de sintonia, não manteve a bola no ataque e tampouco foi criativo para acompanhar o ritmo da partida. Acabou trocado por Paquetá no segundo tempo.

Certo é que Diego será difícil de substituir, ainda mais em fase tão iluminada. O meia chegou ao Flamengo e consolidou o time como competitivo no cenário nacional. Virou o fator que provocou a virada de patamar. Em 30 jogos desde 2016 com ele, o Flamengo venceu 19 vezes, empatou nove e perdeu apenas duas vezes. Neste ano, Diego somou 1.024 minutos em 12 jogos, com sete gols, três assistências e dois cartões amarelos. Certamente a pergunta sobre Conca e Ederson paira sobre a cabeça. Difícil imaginar quando estarão novamente em campo, com confiança e aptos a participar 90 minutos de uma partida depois de tanto tempo fora. Zé Ricardo deve trabalhar com o que tem em mãos. Não é pouco. Mas não haverá espelho. Serão adaptações do time até o retorno de Diego.

  • Jose Fabiano

    Perfeita análise! Escolheria 4-1-4-1 com Trauco no meio!